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Recessão castiga países, desta vez provocada pelo rigor fiscal

Enquanto líderes discutem crescimento e austeridade, economia da Europa encolhe

28 de abril de 2012 | 16h52

A Europa não resiste a seu próprio medicamento e, mais uma vez em menos de quatro anos, volta a viver uma recessão. Com 25 milhões de desempregados, dívidas, o registro do maior calote da história, a queda de dez governos em dois anos e uma participação cada vez menor no comércio mundial, o Velho Continente descobre que se a primeira crise foi importada, a segunda é fruto de escolhas econômicas cada vez mais questionadas, inclusive pelos líderes que defendiam essas políticas e que agora desenterram um debate que havia sido abandonado: o crescimento econômico. No melhor estilo europeu, porém, esses líderes agora promovem ataque mútuos e divergem sobre o que fazer para implementar incentivos para sair da recessão.

Reino Unido, Bélgica. Espanha, Holanda, Itália, Irlanda, Portugal e Grécia já estão tecnicamente em recessão, enquanto o bloco dos países que usam a moeda única terá uma contração de 0,3% em 2012. Até o final do ano, dez dos 27 países da UE sofrerão contração. Alguns, como a Itália, por conta do desabamento de seu mercado consumidor doméstico. Outros, como a Eslovênia, pelo desabamento do mercado consumidor nos países vizinhos, principais destinos de sua produção.

Alguns, como Atenas, jamais saíram desse estado crítico e entram em seu quinto ano de contração de suas economias. Outros, como Espanha, Holanda e Reino Unido, chegam à constatação que a recuperação de 2010 e 2011 foi insuficiente para dar a suas economias um novo fôlego.

Institutos nacionais de estatísticas da França, Alemanha e Itália chegaram à conclusão que, ao final de março, a Europa estava já vivendo uma nova recessão. O cenário até meados do ano não é dos mais favoráveis. Se nenhuma outra crise eclodir, a Europa continuará estagnada até julho. Caso economias emergentes e os Estados Unidos deem sinais de recuperação mais forte no segundo semestre do ano, a esperança dos institutos europeus é de que a zona do euro possa voltar a crescer no final de 2012, mas apenas a uma taxa de 0,1%. Isso porque poderá contar com um leve crescimento das exportações.

A avaliação, porém, é de que o consumo doméstico continuará deprimido por meses ainda na Europa e nenhum dos três institutos esconde: são as políticas de austeridade que estão asfixiando o continente.

No total, como forma de lidar com sua crise da dívida e salvar a moeda única europeias, os governos da zona do euro cortaram de seus orçamentos mais de 200 bilhões em apenas dois anos. Tentaram compensar, injetando 1 trilhão aos bancos, com a missão de que fizesse empréstimos ao setor privado. Mas isso não ocorreu como se esperava.

Cortes

O resultado do corte de orçamento foi a redução de salários, e portanto do poder de compra. Sem dinheiro, o Estado deixou de investir e realizar obras. O resultado está sendo a paralisia do setor de construção. Na Espanha, por exemplo, já existem mais operários do setor de construção desempregados que aqueles que contam com trabalho.

Na Itália, o primeiro-ministro Mario Monti foi saudado pelo mercado como uma boa notícia ao assumir. Aplicou um duro corte no orçamento nacional que fez uma de suas ministras chorar diante das câmeras ao anunciar as medidas. Hoje, a população já sabe o motivo das lágrimas. O país voltou a entrar em recessão. "Com austeridade, ninguém cresce", declarou o próprio ministro da Indústria, Corrado Passera.

Por enquanto, França e Alemanha poderão se salvar da nova recessão. Mas dados sobre a economia britânica revelados nesta semana mostraram que até os mais poderosos poderão sofrer. Londres voltou a entrar em recessão, antes mesmo de se recuperar do tombo de 2009.

Diante da nova recessão, não são poucas as vozes que vinham alertando que o receituário estava simplesmente errado. Mas uma reação oficial apenas começou quando ficou claro que a população puniria nas urnas governos por conta de cortes draconianos. No total, dez governos já foram obrigados a pedir demissão ou foram derrotados em eleições. Em uma semana, o francês François Hollande tem chances de derrotar Nicolas Sarkozy, prometendo justamente rever o receituário para lidar com a crise e aumentar gastos.

No concerto das nações europeias, o retorno do tema do crescimento é evidente, se contrastando com a política que a Alemanha imprimiu. Conhecidos como os "talebãs da austeridade", os tecnocratas alemães exigiram cortes em todo o continente como condição para liberar fundos para resgatar países em crise.

Nesta semana, o Banco Central Europeu rompeu um tabu e voltou a se expressar sobre o crescimento.

 

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