Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 22/10/2019
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Recessão continua na vida real dos brasileiros, diz Maia

Em evento em Londres, presidente da Câmara defendeu reforma do Estado e mudança na isenção de impostos para produtos da cesta básica

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2019 | 09h28

LONDRES - Apesar de já ser um fato tido como finalizado em termos econômicos, a recessão ainda está presente na vida dos brasileiros, para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. "O Brasil vive uma crise fiscal e econômica muito profunda. São basicamente cinco anos de recessão porque, na vida real dos brasileiros, a recessão continua, principalmente na classe média", avaliou ele durante palestra no Brazil Institute, do King's College, em Londres, nesta quinta-feira, 24. "Isso também permite um ambiente mais radicalizado", considerou ele, que momentos antes havia enfatizado que a vitória de Jair Bolsonaro se deu em um momento de polarização do Brasil e do mundo.

Para Maia, nos 30 anos de existência da Constituição, o governo brasileiro perdeu a forma correta sobre como responder aos problemas da sociedade. Ele também enfatizou que o País voltou a ter fome no ano passado e que a desigualdade cresceu, assim como a pobreza. Assim como já havia dito na quarta-feira, 23, na capital britânica e também publicamente no Brasil, ele reforçou sua análise de que o Estado vem usando interesses particulares no Executivo e no Legislativo nos últimos anos e que isso cria uma "distorção enorme" no sistema.

Como exemplo, citou que os salários médios pagos no setor público são "elevadíssimos" em relação a postos semelhantes do setor privado. "Até a Eletrobrás, que é de capital aberto, tem salários de 30%, 40% maiores do que no setor privado", comparou. "Nosso papel agora é representar interesses da coletividade."

Reforma do Estado

Maia afirmou ainda que os governos brasileiros dos últimos anos, assim como ocorreu em outros países da América Latina, priorizaram mais os gastos correntes do que os investimentos. "Isso significa que estamos olhando mais para o passado do que para o futuro."

Por esse motivo, de acordo com ele, a reforma do Estado e a melhora da segurança jurídica são os dois eixos mais importantes para o País. "Isso é o que estou fazendo desde o governo de Michel Temer", disse. Segundo ele, com esses dois pontos "arrumados", o governo terá condições de fazer seus próprios investimentos.

Um dia depois de as mudanças nas regras para aposentadoria serem aprovadas, Maia comentou , assim como a Previdência, o sistema tributário brasileiro beneficia quem tem mais renda em detrimento de quem tem menos renda. Por isso e também para atrair mais investimentos externos, o presidente da Câmara defende uma reforma no setor.

Maia também acredita que poderia haver uma mudança na isenção de impostos existente hoje para produtos da cesta básica. Todos os anos, segundo ele, o governo deixa de arrecadar R$ 12 bilhões com esse benefício, que acaba sendo usado por pobres e ricos. O melhor, segundo ele, é que esse montante de recurso fosse destinado aos que realmente precisam por meio de um programa específico. "O impacto poderia ser de duas a três vezes maior", disse. 

A previsão é que Maia se encontre com o presidente do Comitê para Assuntos Digitais, Cultura, Mídia e Esportes da Câmara dos Comuns (equivalente à Câmara dos Deputados brasileira) do Parlamento britânico, Damian Collins, e com o presidente do Comitê de Comunicações da Câmara dos Lordes (equivalente ao Senado), Gilbert de Panteg. Ele também fará uma videoconferência com Charles Kriel, pesquisador do Centro para Comunicações Estratégicas do King’s College e Conselheiro do Departamento de Assuntos Digitais, Cultura, Mídia e Esportes da Câmara dos Comuns.

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