Recessão e tarifas reduzem o consumo de energia

Em plena recessão, a indústria brasileira paga as tarifas de eletricidade mais elevadas do mundo. O custo médio da energia adquirida pela indústria é de R$ 543,90 o MWh, mais do que na Índia e na Itália, entre 28 países pesquisados, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). 

O Estado de S. Paulo

09 Maio 2015 | 03h00

Este é o resultado dos últimos reajustes tarifários autorizados pela agência reguladora (Aneel) nos Estados do Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Pernambuco. E a conta não vai parar por aí. Na terça-feira, a Aneel propôs um reajuste médio de 15,16% nas tarifas da Eletropaulo, maior para as residências (16,73%) e menor para os grandes consumidores, inclusive indústrias (12,21%).

Com a economia em baixa e custos em alta, a redução de 1,3% da carga de energia do Sistema Integrado Nacional (SIN), entre abril de 2014 e abril de 2015, como informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), deve ser vista como uma consequência natural. 

A carga de energia – ou a quantidade de energia entregue ou requerida pelos consumidores – caiu 3,1% nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste e um pouco menos no Norte (-1,8%) e no Sul (-0,9%), crescendo apenas na Região Nordeste (+5,5%). Mesmo com ajuste sazonal, a queda no SIN atingiu 1% e, no Sudeste e no Centro-Oeste, onde é mais forte a presença da indústria, 2,8%.

Os números também confirmam que não se esgotaram os efeitos nefastos da política energética da ex-ministra de Minas e Energia, ex-chefe da Casa Civil e hoje presidente Dilma Rousseff. Essa política que pretendia a modicidade tarifária malogrou e as tarifas passaram a subir em ritmo acelerado. Assim é coberto parte do rombo bilionário aberto nas contas das geradoras e das distribuidoras, principalmente em 2014.

A indústria é a maior consumidora de energia. Nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, por exemplo, responde por 60% do consumo total. Mas não é a única responsável pela queda da demanda, pois tanto as demais atividades como a maioria das famílias também se obrigam a diminuir o consumo, num momento de inflação alta, mais desemprego e menos renda.

Nos últimos 12 meses, comparados aos 12 meses anteriores, a carga de energia do SIN ainda subiu 1,3%. Mas o ONS já prevê um recuo de 0,1%, entre 2014 e 2015, deixando longe a previsão anterior de uma alta de 3,3%. Com tarifas mais altas, o consumo deverá continuar caindo.

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