Shawn Thew/EFE
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Recessão é teste para bancos, diz FMI

Primeira tarefa na busca de uma solução é eliminar incerteza política, diz diretor da área de estudos financeiros do Fundo

Rolf Kuntz, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 09h28

WASHINGTON - O maior desafio para os bancos brasileiros, neste momento, é a recessão prolongada pela incerteza política, disse ao ‘Estado’ o diretor do Departamento de Mercados Monetário e de Capitais do Fundo Monetário Internacional (FMI), José Viñals. Os bancos brasileiros, segundo ele, são sólidos, capitalizados, dispõem de liquidez, são supervisionados pelo Banco Central e a inadimplência de seus clientes é muito baixa. Mas a duração da crise impõe um teste à sua capacidade de absorção de choques.

No Brasil, como em outros emergentes, aumentou nos últimos anos a vulnerabilidade das empresas não financeiras, com endividamento em alta e lucratividade em baixa. A inadimplência, embora moderada (3,5% dos créditos bancários), tem aumentado, assim como os pedidos de recuperação financeira.

A prolongada retração dos negócios, com juros mais altos, desemprego crescente e lucros em queda tende a pressionar os bancos. A piora do cenário é registrada no Relatório de Estabilidade Financeira, uma das publicações semestrais do FMI.

Riscos tendem a aumentar quando grandes empresas são controladas pelo setor público. No Brasil, assinala o relatório, o rebaixamento do crédito soberano, a pressão fiscal e a recessão contribuíram para encarecer as dívidas da Petrobrás. Mas o contágio pode ocorrer também no sentido oposto, quando o Tesouro é forçado a socorrer companhias controladas. A boa notícia, observou Viñals, é o ajuste iniciado na Petrobrás.

Tarefa. Mas a solução efetiva para as novas tensões financeiras, assinala o economista, depende em primeiro lugar da superação das incertezas políticas. A insegurança paralisa as decisões econômicas e a mudança do cenário político é essencial para o restabelecimento da confiança. A partir daí, o governo deverá ter condições de fixar um rumo para a política econômica. Mas será suficiente insistir nos padrões seguidos pelo governo até agora?

Sem responder diretamente a essa questão, Viñals aponta algumas condições: será preciso buscar a consolidação fiscal e prosseguir no combate à inflação, ainda muito elevada. O Banco Central deverá cumprir seu mandato – cuidar da estabilização dos preços, sem afrouxar prematuramente a política monetária. Em resumo, “será preciso avançar no rumo das políticas corretas”. A sugestão está indicada também no relatório: só a consolidação fiscal tornará sustentáveis as finanças públicas. Para isso, será preciso cuidar dos problemas estruturais das despesas. Esses esforços, advertem os autores do relatório, “podem produzir no curto prazo alguns ventos contrários, mas são necessários para a mudança dos sentimentos e para o retorno ao crescimento econômico”.

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