Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Recessão está perto do fim e Brasil deve retomar o crescimento em 2017, aponta FMI

Economistas do Fundo apontam ajuste fiscal como parte essencial da recuperação econômica

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2016 | 17h02

NOVA YORK - O Brasil deve retomar o crescimento de forma gradual em 2017, afirmam os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quinta-feira, após concluírem uma missão ao Brasil, em que se reuniram com o governo brasileiro, incluindo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Para a retomada, alertam, o ajuste fiscal é essencial.

A previsão do Fundo para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil que consta no relatório de hoje é de expansão de 0,5% em 2017, mesmo número estimado pelos economistas da instituição em julho, quando o FMI divulgou um relatório de atualização de projeções.

Para o FMI, há “sinais preliminares” de que a recessão no País está próxima do fim, mas a previsão de retomada em 2017 vai depender da aprovação no Congresso e implementação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos, da reforma da Previdência e que o governo atinja as metas fiscais neste ano e no próximo.

“Com essas melhorias no lado fiscal, e assumindo que a incerteza continue a diminuir, a projeção é que o investimento continue a se recuperar, apoiando um retorno gradual para o crescimento sequencial positivo a partir do final de 2016”, afirma o relatório do FMI. Para todo o ano de 2016, a previsão do Fundo é que o PIB brasileiro encolha 3,3%.

Uma recuperação mais rápida da economia, na avaliação do FMI, é impedida por alguns fatores, como o alto endividamento das famílias, excesso de passivos das empresas e alto desemprego.

Para o FMI, a forte recessão brasileira é explicada por uma série de motivos. Escândalo de corrupção na Petrobras, crise política, aumento de tarifas de energia elétrica e condições financeiras mais duras estão entre os principais, de acordo com o relatório. Além disso, as taxas de juros persistentemente altas contribuíram para a piora da dinâmica da dívida pública.

“A formulação de políticas (no Brasil) nos últimos anos não foi capaz de resolver problemas estruturais de longa data e provou ser contraproducente”, afirma o FMI logo no início do relatório. O fim de uma era de alto crescimento, puxado pelo consumo doméstico e alta das commodities, expôs problemas na estrutura fiscal do Brasil, levando os indicadores, tanto do governo federal, como dos Estados, a atingir os piores níveis em mais de duas décadas.

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