Recessão forte é sinal de ajuste em marcha

Não bastasse o mergulho esperado da economia, no segundo trimestre do ano, ainda haveria uma surpresa negativa, na divulgação, ontem, dos números do PIB. O IBGE revisou os resultados do primeiro trimestre e constatou que a retração, no período fora de 0,7% sobre o quarto trimestre de 2014 - não de 0,2%, como antes anunciado -, ajudando a consolidar a tese de que, no Brasil, até o passado é incerto. A revelação indica que a economia recuou mais no primeiro semestre do ano do que o previsto e isso terá consequências, também adversas, nas projeções para o PIB de 2015 e no carregamento para 2016.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2015 | 02h04

Aumentaram assim as incertezas em relação aos resultados futuros, mas não só por causa desse ajuste estatístico. Ocorre que, com a divulgação dos números do terceiro trimestre, marcada para o primeiro dia de dezembro, está prevista a apresentação da revisão dos números do PIB em 2012 e 2013. A expectativa é de que as alterações sejam expressivas e para mais, afetando a série para a frente. Se as instabilidades políticas e as incertezas externas, com foco agora no que possa ocorrer com a economia chinesa, já exigiam cautela redobrada na tentativa de projetar o comportamento da economia, essas revisões exigirão perícia ainda maior dos oráculos da conjuntura econômica na leitura de suas bolas de cristal.

Ao lado da perda de vigor do consumo das famílias, que já havia encolhido 1,5% no primeiro trimestre e caiu mais 2,1% no segundo, chamou a atenção a marcha à ré no investimento, que recuou pelo oitavo trimestre consecutivo. Tanto o investimento quanto a indústria foram negativamente afetados pela histórica retração na construção civil, responsável sozinha por um quinto do mergulho da economia no trimestre.

Não se pode esquecer, de todo modo, que está em curso uma recessão forte, o que significa que há um ajuste em marcha. Vencido o primeiro mês do terceiro trimestre, embora os indicadores de produção e de expectativas, na maioria, continuem negativos, já é possível encontrar sinais de redução no ritmo de queda da atividade econômica, rumo a uma estabilidade em níveis baixos. Um fundo do poço localizado cerca de 3% a 3,5% abaixo do pico do atual ciclo econômico, alcançado no primeiro trimestre do ano passado.

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