Recessão indisfarçável no setor de serviços

A receita nominal do setor de serviços cresceu 1,6% entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015 e, nos últimos 12 meses, aumentou apenas 5,4% em relação aos 12 meses anteriores, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos dois casos, o faturamento evoluiu bem menos do que a inflação - e, como a tendência somente se agravou nos últimos meses, confirma-se a suposição de que o segmento de serviços já entrou em recessão.

O Estado de S.Paulo

19 de março de 2015 | 05h34

Dependente do comportamento da economia real, ou seja, da produção industrial e do comércio de bens no atacado e no varejo, além do setor de agronegócios, o setor de serviços tem o peso mais elevado no Produto Interno Bruto (PIB), de cerca de 67%. É, além disso, grande empregador de mão de obra, em sua maior parte de baixa qualificação e que recebe salários inferiores à média brasileira. O declínio do segmento de serviços afeta, portanto, a população de menor renda, que depende do emprego oferecido.

Na PMS, o melhor comportamento aparece nos serviços prestados às famílias, em especial os de alojamento e alimentação - sinal de que a renda dos trabalhadores foi pouco afetada no mês.

Em geral, outros setores pesquisados apresentaram comportamento pior. Houve queda de 2,5% na comparação anual nos serviços de informação e comunicação. Faltou demanda de empresas e do Estado. Serviços de tecnologia da informação, por exemplo, diminuíram ainda mais do que serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias.

E caiu muito a demanda por serviços técnico-profissionais, o que significa que as companhias demandaram menos serviços especializados. O que cresceu foi a procura por serviços administrativos e complementares, em grande parte representados por serviços burocráticos, cuja demanda é compulsória.

Cresceu bem abaixo da inflação a receita obtida com transporte terrestre e transporte aéreo - só a do transporte aquaviário subiu. Os serviços de armazenagem e correios caíram 4,2% na comparação anual.

A conjuntura é ruim. O setor de serviços teve ganhos em janeiro, com a entrada em vigor do novo salário mínimo e a correção dos benefícios da Previdência Social, mas isso não bastou para reverter a tendência de queda da receita. A partir de fevereiro, o maior impacto é negativo - e vem da inflação. Com os dados ruins de emprego, as expectativas de recuperação são reduzidas.

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