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Recessão não muda nada

O ministro Miguel Jorge anunciou, na Câmara, uma notícia velha: que o Brasil está em recessão técnica. Não é novidade. O ex-colega (ele foi meu editor no Estado) deve ter lido isso nas páginas deste jornal e nesta coluna. Elas informaram que a velha senhora chegou. O Brasil já estava em recessão "técnica" porque o PIB deste trimestre deve ter sido sido negativo novamente. É o que mostra a forte desaceleração da indústria, a queda da arrecadação e o desemprego.REAÇÃO VEM, MAS DEMORAComo se esperava, a economia levará ainda algum tempo para reagir às medidas corretas e oportunas postas em prática pela equipe econômica, que merece nota 10. Até agora, porém, conseguiram apenas evitar o pior. E já é muito. Não fosse isso, em vez de cair 3% no trimestre, como se prevê, o PIB estaria afundando 6%, como nos Estados Unidos, e na esclerosada economia europeia, que está atrasando a saída da recessão.RECESSÃO, SIM. E DAÍ?Leitores da coluna ficaram surpresos por termos afirmado, no domingo, que o Brasil já estava em "recessão técnica" (entre aspas, mesmo). Mas não sentimos nada de novo, diziam, nos diversos e-mails enviados à coluna nos três últimos dias. Não é estranho? Dá para explicar isso, senhor colunista, perguntava um leitor, em tom de ironia e desafio.Dá sim. Ninguém está sentindo que algo mudou simplesmente porque já havia mudado. É, a recessão já estava aí quando o PIB no último trimestre do ano despencou de 5,1% para... 3,6%! Foi aí que, já em janeiro, fevereiro e março, todo mundo sentiu que estava vivendo em "clima de recessão", sem ela ter sido oficialmente declarada. Claro? A propósito, essa história de recessão não tem nada de "técnica". O que existe é uma "convenção" de que uma economia estaria em recessão com dois trimestres seguidos negativos. O CRITÉRIO MAIS CORRETOOs Estados Unidos usam critério diferente e mais correto. Classificam uma economia em recessão quando indicadores como desemprego, queda da produção industrial, entre outros, estão em queda, soam negativos. Por isso, afirmaram que o país já estavam em recessão (não "técnica", mas convencional) em dezembro do ano passado, sem esperar o resultado do primeiro trimestre deste ano. E ele também foi negativo neste trimestre. A economia real, a que reflete, entre outras, a atividade produtiva, já estava em recessão nos EUA e principalmente no Brasil todos os indicadores da economia real já eram negativos desde dezembro de 2008.QUEM SENTIU E NÃO SABIATodos.Você, empresário, que vê suas vendas caírem levando-o a reduzir a produção; você, exportador, e principalmente você, assalariado, já estava sentindo a ameaça cada vez maior de perder o emprego, pois mais de 2 milhões foram demitidos nos últimos meses. Isso é recessão de fato, ou chamem pelo nome que quiserem. E ENTÃO?Vamos desanimar, entrar em pânico? Não. Se o governo continuar intensificando a política anticíclica, a recessão será mais branda e menos longa que a dos EUA e da Europa, a dos países ricos - que criaram tudo isso. (Não foram só os grandes bancos americanos, não. Tem suíço, e dos bons, também...) Até agora, a equipe econômica está acertando. Agiu mesmo antes de a crise eclodir. Atacou em todas as frentes. Aumentou a liquidez do sistema financeiro, que não foi contaminado pelas aventuras externas e está saudável. Ao mesmo tempo, estimulou o consumo, reduzindo impostos - coisa que não se tem memoria no País, acho até que nunca ocorreu! - mesmo tendo perdido a CPMF. Vai derrubar a arrecadação? Ora, bolas! Mas ela já não está caindo e cairá ainda mais se a economia continuar afundando? E, se voltar a crescer, não vai aumentar? Só os que têm medo do déficit não sabem disso, mesmo em recessão!E VIVA O JURO ALTO!Ih! Lá vou eu receber paulada...Viva, sim. Sei que o presidente da Fiesp, o Paulo Skaf, vai me exorcizar da sua torre de marfim na Paulista, de onde toma pulso da economia nacional. E sabem por que dou viva ao juro básico alto? Porque (é sério, senhores, por favor!), como eles estão nas alturas e já haviam causado o mal que poderiam causar, podem cair muito e estimular a atividade econômica. E isso também porque com a recessão esvaziou a inflação. Assim, ao contrário dos outros, o Brasil dispõe ainda dessa vantagem: poder baixar juros e praticar uma política monetária ativa para sair da recessão. Essa política fracassou nos EUA porque o juro básico já está em 0,5% e não pode cair mais.TUDO BEM?Não. Só não estamos na pior e temos condições de reagir porque o governo investiu muito no mercado interno e está agindo com oportunidade e presteza. O que precisamos agora é mais do mesmo, e não o mesmo do mais. Vamos esperar que continue assim, que essa cruz da recessão não seja tão pesada quanto está sendo nos países ricos. Que tal acender uma vela para seu santo predileto ou fazer um novena para que os céus continuem iluminando os meninos de Brasília? Por mim, vou rezar um terço para o Mantega e, talvez, para meu ex-editor no Estado, Miguel Jorge...* E mail - at@attglobal.net

Alberto Tamer*, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

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