Recessão nos EUA e crise global serão temas centrais em Davos

Biocombustíveis e Rodada Doha também terão destaque no Fórum Econômico Mundial, que começa nesta quarta

Fernando Dantas, de O Estado de S. Paulo,

23 de janeiro de 2008 | 06h45

Com os mercados globais em seu momento de maior nervosismo em muitos anos, o Fórum Econômico Mundial será aberto nesta quarta-feira, 23, em Davos, na Suíça, com um debate econômico que abrangerá as principais questões que afetam os mercados mundiais. Até domingo, 27, quando se encerra o fórum, a recessão dos EUA e os riscos para a economia global devem dominar a atenção em Davos, que contará com a participação de várias autoridades em assuntos econômico-financeiro, como Nouriel Roubini, que atualmente comanda um dos principais portais econômico-financeiro do mundo, e Stephen Roach, chairman para a Ásia do banco de investimento americano Morgan Stanley.   Veja também: Fórum social fará dia mundial de mobilização no sábado Davos aposta na internet para se tornar pop UE aposta em etanol para reduzir emissão de CO2 Entenda a crise nos Estados Unidos  Incerteza e medo devem marcar reunião em Davos   Outros grandes nomes que marcarão presença no Fórum são o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.   Nesta quarta, o debate com o tema provocativo de "quem está no comando", vai reunir o megainvestidor George Soros e o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz , dois dos maiores críticos de como as autoridades econômicas do mundo vêm conduzindo o capitalismo globalizado. Não devem faltar críticas à forma frouxa com que os bancos centrais e outras autoridades financeiras deixaram grassar, com pouca ou nenhuma regulação, operações financeiras complexas e nebulosas, como aquelas que foram montadas a partir de carteiras de crédito hipotecário, que estão na origem da atual crise.   Rodada Doha   Outro tema quente desse Fórum é a questão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) que luta por uma abertura comercial mundial que possa ajudar a aumentar o intercâmbio entre os países. Davos será palco de mais uma tentativa de resgatar essas negociações, paralisada pelos impasses entre Estados Unidos, Europa e países em desenvolvimento.   O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, que participa das negociações como um dos representantes dos países em desenvolvimento, terá a oportunidade de se reunir em Davos com outros participantes das negociações para discutir sobre "As Ameaças ao Sistema Global de Comércio" e aproveitar a oportunidade para se reunir novamente em busca de algum avanço nas negociações.   Biocombustíveis   Pelo menos duas mesas de discussão sobre a polêmica em torno do biocombustível estão previstas no programa do fórum. O etanol e os demais biocombustíveis são o destaque da política externa do governo brasileiro e são promovidos como uma alternativa ecologicamente correta aos combustíveis fósseis no combate ao aquecimento global e como uma opção econômica para países pobres da África e América Central.   No entanto, o uso de biocombustíveis como alternativa energética enfrenta crescente resistência no exterior e o tema vem gerando controvérsias.   Um dos argumentos dos opositores é que a produção de biocombustíveis tende competir com a de alimentos e que as lavouras de cana-de-açúcar empurrariam outras culturas para a Amazônia, aumentando a devastação da região - críticas que são rebatidas pelo governo brasileiro.   Grande "propagandista" mundial do biocombustível, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não estará no fórum de Davos neste ano, depois de ter participado de três dos últimos cinco encontros.   (Com BBC Brasil)

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