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Recessão nos EUA termina em 2009, diz presidente do Fed

Em rara entrevista, Ben Bernanke mostra-se mais otimista em relação à recuperação econômica do país

Agências internacionais,

15 de março de 2009 | 20h18

Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, afirmou neste domingo, 15, que a recessão da economia americana "provavelmente" deve acabar em 2009. Em entrevista ao programa 60 Minutes, da rede de televisão CBS, o presidente do Banco Central americano afirmou que a chave para a recuperação "é o sistema bancário". Em uma rara mensagem direta ao povo americano, Bernanke mostrou-se mais otimista em relação à situação econômica dos Estados Unidos.

 

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Na entrevista, Bernanke declarou que não haverá mais quebras de bancos no país. No entanto, ponderou que os bancos devem separar os papéis podres e construir uma reserva de capitais. Ele defendeu as ações do governo para reforçar o sistema bancário, dizendo que uma recuperação econômica não vai acontecer até que o sistema financeiro se estabilize.  

 

Bernanke também fez uma forte censura a alguns em Wall Street, dizendo que "a era da abundância, isto acabou agora". "Eu gostaria de dizer ao povo americano... Que eu tenho toda confiança de que esta economia vai se recuperar e vai se recuperar de uma forma forte e sustentada."

 

De sua parte, o Fed "vai fazer tudo o que for possível para dar suporte a esta recuperação", disse Bernanke, de acordo com uma transcrição da entrevista. Contudo, "esta recuperação não vai acontecer até que os mercados financeiros e os bancos se estabilizem".

 

A entrevista é a primeira de um presidente do Fed em mais de duas décadas. "É um momento extraordinário", disse Bernanke. "Esta é uma chance para mim, eu penso, falar diretamente para os EUA."

 

Um tema repetido por Bernanke na entrevista foi que, embora os EUA devam ser capazes de emergir da recessão no final deste ano, isso vai depender criticamente do setor financeiro encontrar seu piso. Ele também deixou claro sua frustração por estar sendo colocado em uma posição de ter de socorrer grandes instituições, como a American International Group (AIG).

 

"Eu bati o telefone mais de uma vez nas discussões sobre a AIG", disse Bernanke. "Eu entendo porque o povo americano está bravo. É absolutamente injusto que os dólares os contribuintes sejam usados para reforçar uma companhia que fez aquelas apostas terríveis."

 

Questionado sobre qual a seria sua mensagem para os banqueiros cujas firmas receberam dinheiro público, Bernanke respondeu que eles devem voltar a fazer bons empréstimos com um "senso razoável de humildade baseado em, você sabe, o que aconteceu nos últimos 18 meses".

 

Bernanke admitiu que as mãos do Fed não estavam completamente limpas com relação a crise. "Eu não quero negar que certamente poderíamos ter feito um trabalho melhor e outros poderiam ter feito um trabalho melhor", disse.

 

Com relação a política monetária, Bernanke disse que o Fed está "efetivamente" imprimindo dinheiro ao invés de usar dinheiro dos contribuintes para aquelas iniciativas direcionadas aos mercados hipotecário, de commercial papers, ativos lastreados em ativos e outros segmentos do sistema de crédito. "Quando a economia começar a se recuperar, esse será o momento em que precisaremos desfazer aqueles programas, elevar as taxas de juro, reduzir a oferta monetária e garantir que teremos uma recuperação que não leve ao desenvolvimento da inflação", disse Bernanke.

 

Os EUA parecem ter evitado uma depressão econômica e existem alguns sinais positivos em alguns mercados onde o Fed está ativo, disse seu presidente. "E estamos vendo alguma melhora nos... bancos, também, certamente em alguns casos chaves", disse. Os grandes bancos são solventes, disse Bernanke, repetindo uma promessa que fez no passado de que não permitirá que eles venham a falir.

 

Um dos primeiros sinais de uma iminente recuperação econômica será quando um grande banco tiver sucesso em levantar capital privado, disse. Contudo, ele alertou que incêndios violentos nos mercados "ainda estão queimando" e as famílias vão sentir problemas econômicos por muitos meses, especialmente com relação aos mercados de mão de obra.

 

Ele disse que a taxa de desemprego vai subir do seu nível atual de 8,1%, que já é a mais alta em 25 anos. Bernanke não disse durante a entrevista se espera que a taxa de desemprego vai ou não alcançar os dois dígitos.

 

Texto ampliado às 21h11 para acréscimo de informações.

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