EFE/STEPHEN JAFFE
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Recessão profunda no Brasil e Rússia ajuda a esfriar PIB de emergentes

Para a diretora do FMI, Christine Lagarde são necessárias ações decisivas dos governos para 'economia global voltar aos trilhos'

Altamiro Silva Junior, enviado especial, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2016 | 11h03

WASHINGTON - A recessão profunda no Brasil e na Rússia tem ajudado a esfriar o crescimento dos países emergentes, grupo que liderou a expansão da economia mundial desde a crise de 2008, afirma a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, na Agenda Global de Política Econômica, divulgada nesta quinta-feira, 13, na reunião de primavera da instituição.

Lagarde afirmou que a apesar da lendária reputação de lugar ensolarado e quente, ventos muito frios andam soprando no Brasil. "A situação da economia é muito preocupante, em termos de desemprego, inflação e claramente em termo de crescimento potencial."

"Esperamos que qualquer que seja o caminho, não entrando no debate interno sobre a situação política, a incerteza seja removida e a política macroeconômica brasileira seja estabelecida em terreno estável", disse Lagarde. A dirigente do FMI disse esperar que, nesse terreno mais estável, não haja probabilidade de variações de objetivos fiscais e se crie um ambiente mais amigável aos negócios e que induza ao crescimento econômico.

Além da recessão brasileira e russa, a desaceleração do crescimento da China e condições financeiras mais duras também estão contribuindo para a perda de fôlego dos emergentes. O crescimento da economia mundial, diz Lagarde, tem sido muito baixo por muito tempo e por isso é hora de "ações decisivas" dos governos.

Na Agenda, a dirigente do FMI destaca que a perspectiva para a economia mundial se enfraqueceu desde a reunião de outubro do FMI, mas nas últimas semanas houve alguma melhora. Os preços do petróleo mostraram recuperação, indicadores econômicos de alguns países registraram avanço e bancos centrais importantes, como do Japão e da zona do euro, tomaram medidas adicionais de política monetária que, no conjunto, ajudaram a melhorar a confiança dos agentes.

Apesar da melhora recente, depois das primeiras semanas de 2016 serem marcadas por turbulência nos mercados financeiros, Lagarde disse que ações adicionais dos governos são necessárias e não podem esperar. "Com base nestes desenvolvimentos positivos recentes, a economia global pode voltar para os trilhos mais forte e segura, mas a resposta política atual terá de ir mais longe."

Apoio. Combinação de políticas monetárias, fiscais e estruturais devem ser usadas pelos governos para tentar estimular o crescimento atual e potencial, além de evitar o risco de recessão. "A política monetária precisa de apoio", afirma Lagarde. Na terça-feira, o FMI rebaixou a projeção para a economia mundial em 2016 e 2017. Para o Brasil, a previsão é de encolhimento de 3,8% este ano, acima da queda de 3,5% prevista no relatório de janeiro divulgado pelo Fundo.

Lagarde ressaltou que os riscos para a economia mundial pioraram, incluindo aqueles para a estabilidade do sistema financeiro internacional. As vulnerabilidades aumentaram nos mercados emergentes e muitos agentes passaram a questionar a eficácia das políticas econômicas para reverter o quadro de baixo crescimento. Outro risco citado pela dirigente foi de saída do Reino Unido da União Europeia. No início da semana, o FMI afirmou que o episódio poderia causar "graves danos regionais e globais".

Na economia mundial, os países avançados estão crescendo menos do que o esperado, por conta ainda de legados da crise de 2008, além de registrarem queda do investimento. No Japão, o consumo interno não decola e o país pode voltar ao crescimento negativo em 2017. Nos emergentes, o ritmo de expansão se desacelerou, com Brasil e Rússia mergulhados em recessões mais fortes que o esperado e a China caminha para um novo modelo econômico, baseado no consumo doméstico e serviços e menos em exportações

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