Recomendação do FMI sobre juro não mira Brasil, diz diretor

Para Nogueira Batista Jr., inflação no País é problema grave, mas que não deve ser resolvido com a alta do juro

Josué Leonel, da Agência Estado,

10 de julho de 2008 | 12h54

O diretor executivo do FMI Paulo Nogueira Batista Júnior não crê que as declarações dadas na quarta-feira, 9, pelo diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, sobre necessidade de aperto monetário em alguns emergentes tivessem o Brasil como um dos seus destinatários. "Não acredito que ele estivesse se referindo ao Brasil quando falou da necessidade de aumento dos juros", disse Batista Júnior, em entrevista à Rádio Eldorado. Strauss-Kahn afirmou que os índices de preço em alguns países emergentes "estão saindo de controle" e que a política monetária destes países deverá ser apertada.  Veja também: Inflação 'está fora de controle' em alguns emergentes, diz FMI Para Nogueira Batista Jr., a inflação no Brasil também é um problema grave, sobretudo para os mais pobres, diante da alta dos alimentos. O remédio para esta alta dos preços, contudo, não deveria ser alta dos juros. A situação brasileira, afirma o diretor brasileiro do FMI, é diferente da de outros países, ricos ou em desenvolvimento, que possuem taxas de juros negativas. Entre estes países, ele citou os EUA, Argentina, Rússia e Índia. "No Brasil, os juros reais eram dos mais altos do mundo mesmo antes da última elevação da Selic", disse. O diretor também vê com cautela a defesa feita por muitos especialistas de que o governo deveria aumentar o superávit primário como maneira alternativa, ou complementar, de combater a inflação. Paulo Nogueira Batista Junior lembra que já houve um aumento do superávit para 4,3% do PIB e argumenta que gastos públicos incluem prioridades importantes para o País, como os investimentos em infra-estrutura e o Bolsa Família. "É preciso ver se uma elevação adicional do superávit não iria comprometer estas prioridades", comentou.

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