Recordes de demissões na indústria paulista

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Recordes de demissões na indústria paulista

Segundo a Fiesp, setor demitiu 15 mil trabalhadores em agosto

O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2014 | 02h05

As 15 mil demissões na indústria paulista em agosto, informadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), não são apenas um recorde desde 2009, ano em que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,3% e a produção industrial diminuiu 7,1%. Elas parecem consolidar uma tendência. O emprego industrial em São Paulo cai há quatro meses consecutivos. Em maio, houve 12,5 mil demissões, as maiores desde maio de 2006, quando a pesquisa começou a ser feita. Em junho, foram 16,5 mil demissões, outro recorde; e, em julho, foram cortadas 15,5 mil vagas.

Como houve um saldo positivo de janeiro a abril, as demissões neste ano se limitaram, até agosto, a 31,5 mil, mas o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, teme que o corte de vagas em 2014 supere 100 mil. Pode até ser uma estimativa otimista, pois entre agosto de 2013 e agosto de 2014 foram dispensados 108 mil trabalhadores.

Os setores que mais demitiram em agosto foram máquinas e equipamentos, veículos automotores, reboques e carrocerias e produtos de metal. Ou seja, foram mais atingidos os empregados das indústrias de bens de capital, além do setor automobilístico. Mas os cortes foram expressivos também na indústria de produtos alimentícios, confecções e têxteis e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos. Isso mostra que o ônus da inflação sobre o poder aquisitivo dos consumidores finais afetou até a compra de alimentos e roupas.

Em 22 setores analisados, apenas 5 contrataram mais: produtos de minerais não metálicos (louças e cerâmicas); outros equipamentos de transporte (exceto veículos e automotores); celulose, papel e produtos de papel; impressão e reprodução de gravações; e produtos farmoquímicos e farmacêuticos.

A indústria de São Paulo gera cerca de 2,6 milhões de vagas e tem uma participação de 35% na produção industrial do País. Seu peso na indústria nacional é tão grande que, em momentos favoráveis, ajuda a equilibrar o PIB industrial, como evidenciam dados do IBGE. Da mesma forma, o impacto de seus cortes de pessoal não se limita ao Estado, eles afetam a indústria brasileira.

O emprego industrial é, em geral, melhor que o dos demais setores, dada a qualificação exigida do pessoal. Por causa dessa qualificação, a indústria procura preservar seus quadros. Mas sua resistência às demissões pode ter alcançado o limite, tal o efeito da recessão sobre ela.

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