Recuo da área imobiliária prejudica os compradores

Os principais indicadores da situação atual da construção voltaram a cair, em novembro, segundo a Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Embora as expectativas para os próximos seis meses tenham melhorado um pouco em relação a outubro, os números continuam abaixo da linha média de 50 pontos, que separa o otimismo do pessimismo.

O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2014 | 02h04

Mostraram enfraquecimento, entre outubro e novembro, os indicadores de utilização da capacidade de operações (de 67% para 66%) e o número de empregados (de 43 pontos para 41,5 pontos). Neste caso, houve recuo ininterrupto desde março de 2014 (quando o índice estava em 46,6 pontos, ou seja, 5,1 pontos mais elevado). Sendo a construção uma grande empregadora de mão de obra, com mais de 3,5 milhões de trabalhadores formais só no Estado de São Paulo, segundo o Sinduscon, é natural o impacto macroeconômico das dificuldades no setor.

Além disso, a indústria da construção reflete tanto os investimentos em infraestrutura de que o Brasil carece como a produção de edificações comerciais e residenciais.

Uma crise na construção civil não pode ser vista como mera oportunidade para compra, mas por um efeito capaz de ser bastante negativo para o comprador final: a redução da oferta de imóveis, com repercussões negativas sobre os preços (sem oferta, os preços pedidos podem até subir, em alguns casos, mesmo numa fase de recessão econômica).

Como mostrou a Sondagem da CNI, feita entre 1.º e 10 de dezembro com 572 empresas, de todos os portes, o nível de atividade efetivo em relação ao usual é muito baixo (40,5 pontos). A evolução do nível de atividade mostrou leve recuperação, passando de 42,7 pontos, em outubro, para 43 pontos, em novembro.

Quanto às expectativas, os indicadores do nível de atividade, de novos empreendimentos e serviços e de compras de insumos e matérias-primas são de manutenção da tendência de queda, embora em grau menos intenso do que em outubro. O indicador menos negativo diz respeito ao número de empregados, que saiu de 46 pontos, em outubro, para 46,9 pontos, em novembro.

Cabe notar que as grandes empresas, que mais rapidamente saíam da esfera pessimista para a otimista, passaram a demonstrar apreensão com as obras que constroem para a Petrobrás e outras estatais. Foram elas, por exemplo, as que mais demitiram, em novembro.

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