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Recuo da China provoca reação em cadeia na Ásia

Sudeste e Leste Asiático enfrentam queda livre de atividade econômica

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Com alta dependência de exportações, os países do Sudeste e Leste Asiático enfrentam uma queda livre da atividade industrial, que se refletirá em acentuada desaceleração ou contração de seus Produtos Internos Brutos (PIBs) em 2009.O comércio é o principal canal de integração da região, que desenvolveu nesta década uma espécie de linha de produção internacional, com a fabricação de peças e componentes em diferentes países e sua montagem final na China. O país governado pelo Partido Comunista ocupa um papel central na organização produtiva da Ásia e se transformou, nos últimos três anos, no principal destino das exportações de muitos de seus vizinhos, incluindo Japão, Coreia e Taiwan. Mais da metade das exportações chinesas é de bens processados com peças e componentes importados. E é essa parcela das vendas externas que foi mais afetada pela desaceleração global. As exportações de produtores processados recuaram 25% em janeiro, acima da queda de 17,5% das vendas totais ao exterior, com impacto sobre os países fornecedores da China."Na medida em que a China crescia, o resto da Ásia estava mais do que feliz em acompanhá-la. Uma cadeia de fornecimento centrada na China levou a uma crescente e estreita integração pan-regional, com linhas de montagem na China recebendo livremente insumos e componentes do Japão, Coreia, Taiwan, Malásia, Cingapura, Indonésia e outros lugares da região", afirmou o presidente do banco Morgan Stanley na Ásia, Stephen Roach, em depoimento ao Congresso norte-americano sobre as relações entre Estados Unidos e China, no dia 17 de fevereiro.DEPENDÊNCIACom a desaceleração chinesa - e do resto do mundo -, os países a seu redor enfrentam um cenário extremamente adverso, em razão de sua alta dependência das exportações. Para Roach, a situação atual dá atualidade a um antigo ditado: "Quando a China espirra, o resto da Ásia pega uma gripe forte".A situação das exportações chinesas piorou ainda mais em fevereiro, com uma queda recorde de 25,7%. Na mão contrária, as importações caíram 24,1%, porcentual melhor que o recuo de 43% de janeiro. Estudo do embaixador Marcos Caramuru, atual cônsul brasileiro em Xangai, mostra o elevado grau de dependência econômica no Sudeste e Leste Asiático. Segundo ele, mais de 50% das exportações desses países são destinados a outros países da própria região. Com elevada relação entre vendas externas e PIB, essas nações foram duramente atingidas pela crise e a maioria está oficialmente em recessão desde o fim do ano passado, depois de passarem por mais de dois trimestres consecutivos de retração de seus PIBs.RETRAÇÃO EM CADEIACingapura é o caso extremo, com vendas externas de US$ 350 bilhões em 2008, valor equivalente a 181% do PIB. O ritmo de crescimento do país passou de 7,8% em 2007 para 1,1% em 2008 e entrará no terreno negativo em 2009, com retração de 5%, segundo previsão do banco UBS.Como a maioria dos países da região, as vendas externas de Cingapura tiveram queda recorde em janeiro, de 35%. O mesmo cenário se repetiu nas exportações do Japão (-46%), Hong Kong (-22%), Coreia do Sul (-33%), Taiwan (-42%) e Tailândia (-27%).Analistas do banco UBS esperam que a economia de Hong Kong tenha retração de 3,4% em 2009, depois de desacelerar de 6,4% em 2007 para 2,5% em 2008. Antes da crise, a região tinha exportações equivalentes a 160% do seu PIB e nada menos que 49% de suas vendas externas tinham como destino a China continental.REFLEXO NO CÂMBIOA Coreia do Sul está entre os países da região mais afetados pela turbulência global e enfrentou nos últimos 12 meses desvalorização de quase 40% de sua moeda, o won, que atingiu a menor cotação em 11 anos no fim de fevereiro. Depois de crescer 2,5% no ano passado, a economia coreana deverá encolher 5% em 2009, mesmo índice esperado para a Tailândia.A situação de Taiwan é ainda mais complicada. O PIB teve queda de 8,4% no quarto trimestre e o tombo de 2009 deverá ser de 6,1%.Com uma relação entre exportações e PIB mais baixa, na casa dos 30%, Indonésia e Filipinas sofrem menos que seus vizinhos diante da retração da demanda global e podem ter expansão de 2,5% e 3,7%, respectivamente, em 2009.

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