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Recuo da construção prejudica projetos

Expansão de cimenteiras fica em compasso de espera com desaceleração da economia

FERNANDO SCHELLER, MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2014 | 02h03

A desaceleração do setor de construção civil no Brasil deve colocar em compasso de espera alguns do projetos de novas fábricas anunciados pelas indústrias instaladas no Brasil até 2020. Hoje, a construção civil responde por 75% do cimento consumido no País - outros 25% são destinados para infraestrutura.

A expectativa do setor era de que 35 milhões de toneladas de cimento fossem adicionadas, nos próximos seis anos, à atual capacidade instalada no País, de 86 milhões de toneladas por ano, segundo dados já anunciados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic). Parte dessa expansão, contudo, deve ser revista, segundo fontes ouvidas pelo Estado.

A InterCement, da Camargo Corrêa, anunciou no ano passado que tinha planos de abrir quatro novas fábricas no País até 2016. Apenas duas vão sair efetivamente do papel - a ampliação da unidade em Goiás e outra em construção na Paraíba.

As outras duas devem ser postergadas. "Nossa ideia era ter uma fábrica em Santarém (PA) ou Manaus, porque nossa presença no Norte do País é pequena. Havia ainda mais uma em discussão para Curitiba", afirmou José Édison Barros Franco, presidente do conselho de administração da companhia. O grupo tem hoje 40 unidades, das quais 16 estão localizadas no Brasil. A capacidade de produção no País é de 17,9 milhões de toneladas por ano.

Aquisições também estão fora do radar da companhia. Primeiro, porque a InterCement está entre as empresas que sofreram pesadas punições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em maio, no caso conhecido como cartel do cimento (leia ao lado). A companhia foi multada em R$ 241,7 milhões. O outro motivo é a disciplina financeira estabelecida pela empresa.

Estagnação. Por causa do cenário mais apertado para o setor de construção civil, devem entrar em operação apenas unidades que já estavam em construção, afirmaram fontes.

É o que deve fazer a siderúrgica CSN, que pretende inaugurar em 2015 sua segunda fábrica de cimento. O grupo, que entrou no setor em 2009, com uma unidade em Volta Redonda (RJ), com capacidade para 2,4 milhões de toneladas por ano, está erguendo sua segunda unidade em Arcos (MG). A fábrica será integrada à mina de calcário que a CSN tem na cidade. A capacidade adicional será de 3 milhões de toneladas. Com a nova unidade, o faturamento dessa divisão do grupo deverá superar a marca de R$ 1 bilhão.

A cimenteira Itambé, que mantém uma única unidade em Balsa Nova, no Paraná, foi uma das empresas que, na esteira do forte crescimento da construção civil entre 2009 e 2012, investiram pesado na ampliação de sua capacidade. A empresa aumentou em 80% sua fábrica, que hoje pode produzir até 2,8 milhões de toneladas por ano.

Com a "virada" do mercado de construção, o diretor-superintendente da Itambé, Paulo Aguiar, não tem nenhuma perspectiva de atingir o ápice de sua produção nos próximos anos. Em 2013, a produção da empresa ficou um pouco abaixo de 1,8 milhão de toneladas - e a expansão prevista para 2014 é bem modesta, de 1,5%.

O executivo diz, porém, que mesmo este magro crescimento em volume poderá não se refletir no faturamento, que tende a ficar quase estável em relação aos R$ 750 milhões de 2013.

Aguiar explica que essas novas fábricas que estão entrando em operação no País ainda refletem o período de bonança do mercado. Porém, ao chegarem na hora errada, essas unidades devem pressionar os preços para baixo. "É uma situação de desequilíbrio. A oferta cresceu e a demanda não acompanhou."

Na contramão, a Votorantim Cimentos, que anunciou investimentos de R$ 11 bilhões entre 2007 e 2016, disse que nada será alterado. A empresa tem meta de adicionar 8 milhões de toneladas à capacidade atual até 2018.

Projetos em andamento, como as obras das futuras operações em Edealina (GO), Primavera (PA) e Sobral (CE), seguem inalterados.

A divisão de cimento do conglomerado fechou 2013 com receita de R$ 12,1 bilhões, de um total de R$ 26,2 bilhões do grupo. O endividamento líquido do grupo encerrou 2013 em R$ 16,8 bilhões, uma relação de 3,12 vezes o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). A companhia não divulga a dívida por divisão de negócio, mas informou que a alavancagem da área de cimentos era de 3,28 vezes o Ebtida em dezembro de 2013 e que 16% dessa dívida vence de 2014 a 2016.

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