Recuo da indústria chegou a áreas mais desenvolvidas

A queda da produção industrial em junho foi não apenas muito forte, como disseminada, alcançando 11 dos 14 locais pesquisados, inclusive os Estados onde o setor de manufaturados é mais desenvolvido, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre maio e junho, a produção caiu em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nas Regiões Sul e Sudeste, a queda só não atingiu o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.

O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 02h06

Os resultados relativos a períodos mais longos também foram ruins, segundo o levantamento Produção Industrial - Resultados Regionais, do IBGE. Entre os primeiros semestres de 2013 e de 2014, a produção caiu em todos os Estados do Sul e do Sudeste, especialmente em São Paulo, com recuo de 5%.

Os dados acumulados em 12 meses também registraram queda, neste caso de 0,6%. Das 14 regiões, 5 mostraram recuo, a começar de São Paulo (-1,8%), Rio de Janeiro (-2,6%), Minas Gerais (-1,4%) e Espírito Santo (-2,9%).

São números elevados, e se referem aos segmentos mais importantes da produção. Puxaram a queda os setores de bens de capital (influenciados pelo enfraquecimento em segmentos como caminhões, tratores para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias), bens intermediários (como autopeças), têxteis, siderúrgicos, petroquímicos, resinas termoplásticas e defensivos e, ainda, bens de consumo durável (automóveis, eletrodomésticos, motocicletas e móveis). Escaparam da queda alimentos, bebidas, fumo e derivados de petróleo.

Outras estatísticas agregadas já revelavam a deterioração do setor secundário. Com informações diferentes das do IBGE, os Indicadores da Indústria, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostraram queda do faturamento real de 1% entre os primeiros semestres de 2013 e de 2014 e uma diminuição de 2,2% no número de horas trabalhadas. No período, a massa salarial e o rendimento médio real continuaram a subir, dada a esperança das empresas numa recuperação. Mas em junho já houve um corte expressivo dos postos formais de trabalho, ou seja, a recessão industrial já ameaça os trabalhadores.

Mesmo que a velocidade da queda seja atenuada, neste trimestre, faltará tempo para uma recuperação sustentável até o fim do ano. Tampouco é provável melhora conjuntural suficiente para devolver confiança aos agentes econômicos.

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