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Recuo da inflação 'não nos fará baixar a guarda', diz Mantega

Ministro diz que inflação retornará para o centro da meta 'o mais breve possível', referindo-se à taxa de 4,5%

Célia Froufe, da Agência Estado,

13 de agosto de 2008 | 07h59

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou que, apesar de a inflação estar dando os primeiros sinais de arrefecimento, o governo não descuidará do tema. "Os recentes índices de inflação já confirmam esta tendência, mas quero deixar aqui uma mensagem muito clara: esse início de reversão do surto inflacionário de modo algum nos fará baixar a guarda", afirmou na noite da última terça, 11, em discurso durante a 8ª edição da premiação Valor 1.000, em São Paulo. Veja também:IPCA desacelera a 0,53% em julho ajudado por alimentosComo investir seu dinheiro no período de inflação  De olho na inflação, preço por preço Entenda os principais índices Entenda a crise dos alimentos  De acordo com ele, a inflação já começou a arrefecer e, com certeza, "haverá de ser revertida". O ministro voltou a argumentar que a alta dos preços foi proveniente de um choque no mercado internacional, que acabou contaminando o Brasil, originado principalmente de três segmentos: alimentação, minério e petróleo. Mantega lembrou que, de junho de 2007 a idêntico mês deste ano, o IPCA saltou de 3,7% para 6,4% no acumulado de 12 meses e que o índice de alimentação e bebidas acumulou alta de 15,5% no período. "A solidez da economia brasileira e a resposta da política econômica farão com que a inflação retorne para o centro da meta estabelecida pelo governo o mais breve possível", previu, referindo-se à taxa de 4,5% perseguida pelo Banco Central. "Nosso objetivo atual é manter a inflação o mais próximo possível do centro da meta neste e nos próximos anos", reforçou. O ministro voltou a lembrar que, entre os países que adotam o regime de metas de inflação, o Brasil foi o único até o momento a não ultrapassar a margem de tolerância, de 6,5% no caso brasileiro. "Portanto, estamos administrando a inflação melhor do que nossos parceiros." Mantega fez questão de enfatizar que "há tempos" dizia que a tendência era de desaceleração da alta da inflação no segundo semestre, citando como argumento que, no período, a safra agrícola brasileira e do hemisfério norte ajudariam a trazer os preços para um patamar mais baixo. "Quero voltar à minha mensagem: apesar de várias medidas já terem sido tomadas e de o quadro inflacionário estar dando sinais de início de reversão, quero deixar bem claro que, caso seja necessário, não hesitaremos em tomar novas medidas, novas providências para garantiu o controle da inflação", afirmou. Na semana passada, também em São Paulo, o ministro chegou a dizer durante um seminário que uma dessas medidas seria um novo aumento da meta de superávit primário - ele não ofereceu, no entanto, mais detalhes a respeito de prazos e magnitude dessa elevação. Meta de crescimento Apesar de buscar um tom ainda duro em relação ao combate à inflação, o ministro deixou claro que não abrirá mão do crescimento do País, ainda que projete uma desaceleração do PIB em 2009 (4,5%) na comparação com a expectativa para este ano (5%). "Temos de alcançar esta meta (de inflação) sem jogar por terra o vigoroso ciclo de crescimento que construímos com tanto esforço desde 2003", afirmou.  Ele salientou ainda que a equipe econômica está empenhada em controlar os impactos dos choques externos, os chamados efeitos secundários. "O nosso propósito é que tais impactos tenham menos efeito possível sobre o nosso ciclo de expansão", explicou. Mesmo assim, ele admitiu que é preciso moderar a velocidade do crescimento da demanda doméstica para um patamar menor que o verificado no quarto trimestre do ano passado, de 8,6%. O ministro ressaltou as decisões já tomadas pelo governo para combater a alta dos preços, principalmente no âmbito fiscal e monetário, mas sem que haja desvio do crescimento da atividade. Do lado fiscal, ele citou o aumento do superávit fiscal de 3,8% para 4,3%. "Isso não é uma promessa, mas uma economia que já está sendo feita."  Mantega mencionou ainda outras medidas fiscais adotadas para contribuir com a moderação do crescimento da demanda doméstica e que acabam tendo um papel antiinflacionário, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a desoneração de impostos para o setor de trigo e derivados, bem como a desoneração da Cide sobre os combustíveis. Na área da política monetária, Mantega destacou a criação do compulsório para leasing e o aumento de 1,75 ponto porcentual da Selic desde abril, que agora está em 13% ao ano. "Além da elevação da taxa básica de juros, as expectativas sobre o cenário externo e sobre as próprias ações do Banco Central já aumentaram as taxas de juro de longo prazo em aproximadamente 4 pontos porcentuais desde o início de 2008", contabilizou.

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