Recuo das commodities segura a inflação

Apesar de afetar negativamente a balança comercial, o lado favorável da queda dos preços das matérias-primas é a desaceleração da inflação, especialmente a dos alimentos. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor), que é uma prévia da inflação oficial, desacelerou mais do que o esperado em maio. O índice subiu 0,46% este mês, depois de ter aumentado 0,51% em abril. O recuo do índice foi patrocinado pela perda de fôlego dos preços dos alimentos.

O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2013 | 02h07

De acordo com o indicador, os preços dos alimentos subiram 0,47% em maio, depois de terem aumentado 1% em abril. A desaceleração dos preços da alimentação ao consumidor acompanhou o comportamento das cotações no atacado, que já estavam caindo.

"O lado ruim para a balança é o lado bom para a inflação", diz o diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira. Ele afirma que não tem dúvidas de que o alívio nos preços dos alimentos capturado pelo IPCA-15 reflete a queda dos preços das commodities agrícolas. "Por isso, que eu acho desnecessária a alta de juros."

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, frisa que apesar de a queda dos preços das commodities afetar negativamente a balança comercial, ela vai segurar a inflação. "Em um ano eleitoral, isso é bom para o governo. A população não sabe nada sobre balança comercial, mas está preocupada com a inflação, porque pesa no bolso."

Na opinião de Silveira, da GO Associados, a preocupação com a balança não é imediata, porque o País tem um grande volume de reservas acumuladas. Ele não acredita que o governo, neste momento, mexa no câmbio e desvalorize o real para tornar as exportações brasileiras mais competitivas.

"O Banco Central não vai deixar essa taxa de câmbio se desvalorizar muito porque volta a inflação", diz Silveira. / M.C.

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