Recuo dos serviços reforça prognósticos pessimistas

Se os dados negativos da indústria e do varejo já davam uma ideia do grau de retração da economia, os resultados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE reforçaram os prognósticos pessimistas. A receita nominal do setor de serviços, que responde por cerca de 2/3 do PIB, caiu de 1,8%, em janeiro, para 0,8%, em fevereiro, a menor taxa mensal da série iniciada em 2012. Em 12 meses, até fevereiro, a receita nominal de serviços em geral subiu apenas 4,7%, inferior aos 6% registrados em 2014, quando o PIB cresceu à taxa ínfima de 0,1%.

O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2015 | 02h02

O setor se ajusta após o crescimento rápido do início da década, quando a melhora da renda de parte da população favoreceu o acesso a diversos tipos de serviços.

Em fevereiro, houve queda mais acentuada em transportes e serviços auxiliares e correio (-1,9%), mas não de transporte de passageiros. As despesas de transporte urbano dos trabalhadores são inevitáveis e o transporte aéreo doméstico de passageiros cresce há 17 meses consecutivos, segundo levantamento da agência reguladora (Anac).

Tudo indica, assim, que a queda nos transportes se deveu à baixa demanda da indústria para levar seus produtos aos centros de consumo e do comércio, que evitam estoques excessivos. Importações e exportações têm caído, em valor e volume. Contribuiu para a queda a greve dos caminhoneiros, com menos bens para transportar, diesel mais caro e fretes insatisfatórios. Os Correios são afetados pela internet e pela menor demanda de envio de encomendas.

O que sustentou o setor entre fevereiro de 2014 e fevereiro de 2015 foram os serviços prestados às famílias (+6,8%), profissionais e administrativos (+3,6%) e de informação e comunicação (+0,6%). Mas os serviços às famílias vêm caindo desde 2014, embora menos do que a média. Em 2013 e 2014, esses serviços cresceram 10,3% e 9,2%.

De qualquer forma, o crescimento mais baixo dos serviços pode ser atribuído, em grande parte, à menor demanda.

Assim, muitos prestadores de serviços reduzem preços para conservar a clientela, que tem menos dinheiro no bolso para gastar. Com crescimento apenas nominal da receita, pequenos estabelecimentos tiveram de fechar as portas ou se adaptar a instalações menores, caso dos salões de beleza.

Se há um aspecto positivo, é que os preços dos serviços poderão entrar numa fase de moderação, contribuindo para um arrefecimento dos patamares da inflação.

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