Recuo geral e rumos da produção industrial

Com a divulgação, na sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da produção industrial por regiões, constata-se que a queda de 3,2% entre 2013 e 2014 teve características bem mais graves do que as imaginadas. Ela não só atingiu 12 dos 14 locais pesquisados, como foi liderada pelos Estados onde a indústria é mais forte, o que faz supor que falta muito para voltar a falar em recuperação - e que esta poderá ser mais lenta que o desejável.

O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2015 | 02h04

A produção industrial paulista caiu 3,2% entre novembro e dezembro, 7,8% entre dezembro de 2013 e dezembro de 2014 e 6,2% entre 2013 e 2014. Em resumo, a situação da indústria registrou um agravamento no final do ano.

Em 2014, ainda que a queda em São Paulo tenha sido liderada pelo setor de veículos automotores, reboques e carrocerias (-17%), ela também foi expressiva em metalurgia, produtos de metal, produtos químicos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, produtos de minerais não metálicos e produtos de borracha e material plástico. O setor de alimentos caiu 5,2% e o de máquinas e equipamentos, 10,1% - sugerindo nova queda de investimentos.

Também caíram muito as produções do Rio de Janeiro (0,4% no mês e 3% no ano) e de Minas Gerais (2,3% e 2,9%, respectivamente). Nos poucos Estados em que o comportamento industrial foi positivo, a expansão foi proveniente do setor extrativo, caso do Pará e do Espírito Santo. Trata-se, portanto, de segmentos muito dependentes de preços internacionais.

Mesmo que o câmbio continue sendo mais favorável, estimulando as exportações, a indústria em geral não deixa de depender do mercado local, sujeito às dificuldades dos consumidores. A cada rodada do boletim Focus, elaborado pelo Banco Central com base em pesquisas externas, constata-se que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer menos do que o esperado na semana anterior (o último indicou que o PIB deve avançar zero neste ano).

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) já admite o risco de um colapso dos investimentos industriais em 2015. E o departamento econômico do Bradesco calcula que a demanda de bens da indústria terá um recuo de 2% neste ano, enquanto os investimentos cairão 3%, após a queda de 7,7% em 2014.

Os números do IBGE reforçam o temor de que a indústria continue a forçar para baixo o PIB, a renda e o emprego.

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