carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Recuperação ainda distante

As expectativas quanto ao futuro são positivas, mas a situação presente ainda é bastante difícil

Fernando de Holanda Barbosa Filho*, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2016 | 23h00

Os resultados da Pnad Contínua mostram que o mercado de trabalho brasileiro continua em queda. O desemprego atinge 12 milhões de pessoas, com tendência de alta, e o pessoal ocupado caiu abaixo de 90 milhões, com aceleração da queda.

O ano de 2015, apesar da forte retração da economia, mostrou um mercado de trabalho com menor contração. O total de pessoas ocupadas se manteve estável entre 2015 e o de 2014, graças à forte elevação do número de trabalhadores por conta própria e do aumento do emprego doméstico. A alta da taxa de desemprego ocorrida ao longo de 2015 foi fruto de menor participação no mercado de trabalho, e não da redução do número de trabalhadores.

Os últimos meses de 2015 indicaram mudança na dinâmica do mercado de trabalho, que passou a demitir, movimento ampliado a partir de janeiro de 2016. Este ano se caracteriza por forte redução do emprego e elevação significativa da taxa de desemprego. A diminuição do número de trabalhadores por conta própria, categoria que tinha funcionado como um colchão no ano passado (gerou quase 1 milhão de vagas em 2015 na comparação com 2014), parou de funcionar, possivelmente pela queda da atividade.

Mesmo o aumento de renda de 0,9% em relação ao trimestre anterior não parece sinal de recuperação do mercado de trabalho. Esse aumento deve estar relacionado com uma mudança na composição da mão de obra, com aumento da participação de trabalhadores mais experientes e de maiores salários, elevando a média total.

O que esperar dos próximos meses? As notícias não são boas. A queda da população ocupada em relação aos mesmos meses do ano anterior continua se acelerando, o que sinaliza que ainda não chegamos ao fundo do poço do mercado de trabalho.

Assim como ocorre com outros setores da economia, as expectativas quanto ao futuro são positivas, mas a situação presente ainda é bastante difícil. Caso a tendência atual se mantenha, somente deveremos começar a ver a luz no fim do túnel no segundo semestre de 2017.

*Professor e pesquisador do Ibre/FGV

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.