Recuperação continua em 2018

A Pnad contínua, divulgada ontem, mostrou nova queda na taxa de desemprego, que fecha 2017 em 12,0%. A crise econômica iniciada em 2014 modificou completamente o mercado de trabalho doméstico. O Brasil, que estava em pleno emprego, experimentou grande perda de atividade econômica, renda e postos de trabalho. 

Fernando de Holanda Barbosa Filho, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2017 | 05h00

Os números assustam, como atestam os 12,6 milhões que ainda estão desocupados. No entanto, é impossível não perceber que o pior ficou para trás. O mercado de trabalho atingiu o fundo do poço em março, quando a taxa de desemprego atingiu 13,7%. O País tinha 14,2 milhões de desocupados e 88,9 milhões de ocupados. Desde então foram criados 3 milhões de vagas, o número de desempregados caiu em 1,6 milhão, e 1,4 milhão de brasileiros retornaram ao mercado de trabalho. 

A maior parte dos postos de trabalho criados no período foi informal, mas isso era esperado após crise tão longa e ambiente ainda cheio de incertezas. Os empregos sem carteira e os trabalhadores por conta própria representaram 60% desse crescimento, enquanto as pessoas que trabalham como empregadores e no serviço público contribuíram com quase um terço dos novos postos de trabalho. O emprego com carteira não avançou no período.

O retorno dos autônomos e o aumento dos empregadores sinaliza uma melhora das condições da economia. A recuperação cíclica deve comandar a retomada do mercado de trabalho no próximo ano. 

A excelente condução da política monetária por parte do Banco Central controlou a inflação e reduziu de forma substancial a taxa básica de juros, a Selic, que deve permanecer baixa em 2018, estimulando a atividade econômica. 

Nesse cenário, o crescimento econômico na faixa dos 3% deve gerar novos recuos da taxa de desemprego e o retorno do emprego formal ao longo de 2018. O Ibre projeta para o próximo ano crescimento do PIB de 2,8%, taxa de desemprego de 11,5% em dezembro e criação de 515 mil vagas formais. A incerteza com relação as eleições gerais, que inclui a presidencial, não deve representar risco imediato ao emprego, mas pode abortar a esperada continuidade da melhora em 2019.

PESQUISADOR DO INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (IBRE/FGV)

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