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Recuperação da confiança é o desafio dos EUA

Para Barack Obama, crise política que colocou o país à beira do calote afetou a credibilidade americana em todo o mundo

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2013 | 02h04

Depois da crise que paralisou o governo por quase três semanas e colocou o maior devedor do mundo à beira do default, os Estados Unidos têm agora o desafio de recuperar a confiança doméstica e internacional e afastar a intransigência política que esteve na origem do impasse, declarou ontem o presidente Barack Obama.

"Provavelmente nada prejudicou mais a credibilidade da América no mundo, nossa reputação com outros países do que o espetáculo que vimos nas últimas semanas", declarou Obama em pronunciamento sobre o acordo aprovado pelo Congresso anteontem, horas antes de o Tesouro esgotar sua capacidade de financiamento.

Segundo o presidente, a demora do país em resolver a crise arranhou a imagem dos EUA diante de aliados e adversário. "Isso alentou nossos inimigos. Isso encorajou nossos competidores. E deprimiu nossos amigos que olham para nós em busca de firme liderança."

Obama ressaltou que o impasse não foi provocado por questões econômicas, mas sim por intransigência política, especialmente da ala radical do Partido Republicano, de oposição. "Não é nenhuma surpresa que o povo americano esteja completamente farto de Washington."

Depois de agradecer a democratas e republicanos moderados pelo acordo aprovado anteontem, o presidente pediu à oposição que use as regras do processo democrático para buscar as mudanças que deseja. "Se você não gosta de uma política particular ou de um presidente em particular, defenda sua posição. Saia por aí e ganhe uma eleição. Pressione por mudança. Mas não destrua o que nossos antecessores levaram mais de dois séculos para construir."

A origem do impasse foi a estratégia da extrema direita do Partido Republicano de condicionar a aprovação do orçamento e a elevação do teto de endividamento do país ao esvaziamento da principal bandeira de Obama, a reforma do sistema da saúde aprovada em 2010.

"Vamos ser claros: não há vencedores aqui", ponderou o presidente. "No momento em que nossa recuperação econômica demanda mais empregos, mais força, nós temos mais uma crise autoinfligida que atrasa nossa economia."

A agência de classificação de risco Standard & Poor's estimou que a paralisação do governo vai custar US$ 24 bilhões à economia. Associado à incerteza gerada pela ameaça de calote, o confronto deverá subtrair pelo menos 0,6 ponto porcentual do crescimento no quatro trimestre, originalmente projetado em 3%.

O governo voltou a funcionar normalmente ontem, com o retorno ao trabalho de centenas de milhares de servidores, enquanto republicanos mergulhavam na ressaca de uma derrota humilhante, que derrubou seus índices de aprovação na opinião pública.

A divisão interna entre moderados e a direita do Tea Party acentuou ainda mais uma crise de identidade da organização, refletida em pesquisa do Pew Research divulgada anteontem: apenas 27% dos republicanos "liberais" têm uma visão positiva dos ultraconservadores. Mais ainda: 51% dos que se identificam como republicanos acreditam que o Tea Party é um movimento independente, que não integra o seu partido.

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