Tiago Queiroz/Estadão
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Recuperação da economia está muito mais lenta do que em outras crises, diz Samuel Pessoa

Para pesquisador do Ibre, política microeconômica adotada foi desastrosa, ao optar por um aumento da presença do estado

Fernanda Guimarães e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 11h06

CAMPOS DE JORDÃO - O pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), Samuel Pessoa, disse que enxerga que a recuperação da economia brasileira se mostra, neste momento, muito mais lenta do que em outras crises vividas no passado, já que agora a crise vai além da macroeconomia e afeta a microeconomia, após uma política adotada que foi "desastrosa". "Além do macro, temos que arrumar o micro e por isso vejo uma recuperação mais lenta", disse. Nesta sexta-feira, foi divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) do País no segundo trimestre, que confirmou o quadro recessivo: a economia se contraiu 1,9%.

Segundo Pessoa, o governo adotou uma política voltada às empresas, após a crise de 2009, que acabou, ao fim, fragilizando as empresas, que hoje estão endividadas e são pouco produtivas. A desaceleração maior do Brasil em relação a outros países, muito influenciada pela desorganização da oferta que ocorre por aqui, deve-se a um "desastre na política microeconômica", principalmente após a crise de 2009 e com um aumento da presença do estado interventor. Segundo ele, houve escolha de alguns setores para que eles pudessem crescer .

"Ao fazer isso, com política de desoneração, de microeconomia de péssima qualidade, reduzimos o crescimento da produtividade", afirmou, lembrando que as empresas passaram a ter dificuldade em gerar caixa e acabaram se endividamento. Parte desse aumento do endividamento ocorreu por que o setor público acabou emprestando de forma subsidiada. "Os empresários não se endividaram apenas baseados em decisões privadas", disse. 

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'Além do macro, temos que arrumar o micro e por isso vejo uma recuperação mais lenta' - Samuel Pessoa - pesquisador do Ibre
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Pessoa disse ainda que um dos problemas do Brasil foi a "qualidade da desaceleração da economia no Brasil", que segundo ele foi "desastrosa".

O pesquisador avalia que houve uma desorganização da capacidade da oferta no Brasil, o que explica a queda da capacidade produtiva. "Essa é a característica maior da nossa desaceleração até a passagem do terceiro para o quarto trimestre do ano passado, depois disso a queda passa a ser queda de demanda", disse. Segundo ele, essa queda da demanda é necessária no sentido de colocar a inflação dentro da meta.

Juros. Em relação às taxas de juros, Pessoa disse que seria um erro reduzir os juros "na marra". "Tentamos isso nos últimos quatro anos e isso deu resultados desastrosos", disse, no 7º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, organizado pela BM&FBovespa. 

Pessoa disse que o Brasil tem pela frente um problema fiscal "extremamente sério" e que o CDS (Credit Default Swap, na sigla em inglês), que mede o risco do País, está apenas "contando esse problema".

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