''Recuperação da Europa será lenta e gradual''

Economia volta a crescer só no 2.º trimestre de 2010, diz Almunía

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

A economia da Europa só voltará a ter algum crescimento no segundo trimestre do ano que vem. A avaliação é de ninguém menos que o próprio comissário europeu para Assuntos Econômicos e Monetários, Joaquín Almunía. "A recuperação será lenta e gradual", afirmou ele a um grupo de jornalistas da América Latina, ontem, na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas. A agência oficial de estatísticas da região (Eurostat) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) dos 16 países que fazem parte da zona do euro caiu 2,5% no primeiro trimestre em relação aos três últimos meses do ano passado. Na comparação com o mesmo trimestre de 2008, o recuo foi de 4,8%. Em ambos os casos, a queda é recorde. A expectativa oficial é de que o PIB de 2009 recue 4%.Sem rodeios, o espanhol fez uma análise realista da situação. "A primeira impressão que tínhamos em outubro de 2007, quando surgiram os primeiros sinais da crise, era de que não sofreríamos tanto quanto os Estados Unidos. Isso se mostrou errado", reconheceu. O declínio maior na Europa do que nos Estados Unidos tem chamado a atenção de vários analistas, entre eles o colunista Martin Wolf, do jornal britânico Financial Times, que na semana passada publicou um artigo no qual tentava explicar por que isso está ocorrendo.Para Almunía, o impacto maior sobre os europeus deve-se principalmente a duas razões. A primeira delas é a expressiva queda da demanda externa por produtos feitos na região. Nos últimos anos, as exportações (sobretudo da Alemanha) foram o principal motor da expansão econômica europeia. O segundo fator citado por Almunía é o efeito drástico da crise sobre o setor industrial do mundo todo. "A principal economia da região (Alemanha) tem um setor industrial muito forte e competitivo", observou. Almunía procurou demonstrar otimismo com os efeitos, na economia, de medidas anunciadas até o momento por diferentes países europeus - nas áreas fiscal, financeira e monetária (neste último caso, especificamente para os países da zona do euro, por meio da derrubada da taxa básica de juros pelo Banco Central Europeu). Hoje, aliás, o BCE deve detalhar, após sua reunião mensal em Frankfurt, a estratégia de recompra de títulos públicos de longo prazo, como já tem feito o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Na prática, essa recompra equivale a uma redução do juro básico. Almunía destacou, no entanto, que o mercado de crédito ainda não voltou ao normal e previu que mais bancos da região precisarão de recursos públicos para equilibrar seus balanços. "Até agora, um terço (o equivalente a 100 bilhões) do que os governos destinaram às instituições não foi usado. Há um ?gap? aí."O jornalista viajou a convite do Centro Europeu de Jornalismo (EJC)

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