Wang Zhao|Reuters
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Recuperação de Brasil e Rússia deve ajudar a acelerar PIB mundial, diz FMI

Enquanto países desenvolvidos perdem ritmo, crescimento dos países emergentes deve se acelerar em 2016 pela primeira vez em seis anos

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2016 | 10h48

NOVA YORK - A volta do crescimento previsto para o Brasil e a Rússia em 2017 deve ajudar a acelerar a expansão da economia mundial, de acordo com previsões divulgadas nesta terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório "Panorama Econômico Mundial". Pela primeira vez em vários meses a instituição não cortou as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, mas vê os países avançados perdendo fôlego, enquanto os emergentes voltam a ganhar ritmo. 

A previsão divulgada hoje pelo FMI é que o PIB mundial deve crescer 3,1% este ano e 3,4% em 2017, mesma estimativa feita em julho. Os países avançados, porém, tiveram corte de estimativa, de avanço de 1,8% previsto no relatório anterior para 1,6%. A redução foi puxada principalmente pela piora do desempenho dos Estados Unidos e do Reino Unido. 

Os EUA devem crescer 1,6% este ano, um corte de 0,6 ponto da projeção feita em julho (+2,2%), refletindo a fraca primeira metade do ano na maior economia do mundo. Para 2017, a estimativa foi cortada de expansão de 2,5% para 2,2%. 

O Reino Unido também deve apresentar desaceleração, afetado pela decisão de deixar a União Europeia em junho. Depois de crescer 2,2% em 2015, a expansão deve se desacelerar para 1,8% este ano e 1,1% no ano que vem. Ainda nos países desenvolvidos, o FMI alerta que o Japão deve continuar crescendo pouco (0,5% este ano e 0,6% em 2017), o mesmo valendo para a zona do euro, onde a instituição vê necessidade de reforço no programa de compra de ativos pelo Banco Central Europeu (BCE). 

Oito anos após a crise financeira mundial de 2008, a recuperação dos países é vista como "precária" pelo FMI. O baixo crescimento, alerta o Fundo, pode aumentar o desejo dos governos por medidas protecionistas e anti-imigração, ressalta o relatório. O documento não cita nomes, mas esta tem sido a plataforma política do candidato à presidente dos EUA, Donald Trump. 

"A economia mundial tem se movido de lado e o crescimento está fraco", afirmou o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, em comentários inicias preparados para uma entrevista à imprensa hoje. Para ele, a adoção de medidas protecionistas no comércio, ao contrário de melhorar o cenário, deve agravá-lo. "É de vital importância a defesa da crescente integração comercial", afirma ele, destacando que "dar as costas" para a agenda comercial só vai agravar e prolongar a fraca recuperação da economia mundial. 

O FMI volta a falar da necessidade de mais ação não apenas na política monetária, mas também na política fiscal e estrutural, com os governo buscando mais esforços para investir em infraestrutura. Os bancos centrais dos países desenvolvidos devem manter os programas de estímulos extraordinários, recomenda o Fundo. No caso do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), a recomendação é de a alta de juros seja "gradual" e dependente do comportamento dos salários e dos índices de preços. 

Emergentes. Enquanto os países desenvolvidos perdem ritmo, o crescimento dos países emergentes deve se acelerar em 2016 pela primeira vez em seis anos, ganhando novo fôlego em 2017. 

Em 2015, os emergentes registraram expansão de 4%, que deve subir para 4,2% este ano e 4,6% em 2017. Apesar do grupo estar ganhando fôlego, o FMI destaca que o cenário difere entre as várias economias. A Índia deve se manter na liderança como o país que mais cresce no mundo, considerando as principais economias. A previsão é que o PIB indiano avance 7,6% este ano e o mesmo montante no ano que vem. Nos dois casos, a estimativa foi melhorada em 0,1 ponto na comparação com os cálculos feitos em julho, quando o Fundo divulgou seu último relatório de previsões. 

Enquanto a Índia deve acelerar o crescimento, a China perde fôlego, por conta da transição do modelo de expansão da atividade que vem sendo conduzida pelo governo, que ter tornar o país mais dependente do consumo e serviços. O FMI prevê que a China cresça 6,6% este ano, mesma número previsto no relatório de julho. Em 2017, a previsão também foi mantida, em 6,2%. Nos dois casos, o patamar é menor que o de 2015, que ficou em 6,9%. 

Na América Latina, a região deve encolher 0,6% este ano, por conta das recessões no Brasil e em outros países, como a Venezuela. A aposta do FMI é que a recuperação ocorra em 2017, com avanço de 1,6%. A Venezuela deve encolher 10% em 2016 e mais 4,5% no ano que vem. Para 2017, a estimativa é de avanço de 1,6% para a América Latina.

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