Recuperação do setor de serviços ainda é frágil

O volume de serviços livre de influências sazonais cresceu 0,9% entre junho e julho, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2016 | 03h09

O volume de serviços livre de influências sazonais cresceu 0,9% entre junho e julho, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado não pode ser ignorado como indicador de melhora da atividade, mesmo que na comparação com 2015 os números ainda sejam muito ruins. Mas, como alerta o técnico do IBGE Roberto Saldanha, será preciso eliminar o fator extraordinário representado pela demanda de serviços nos Jogos Olímpicos para avaliar se está em curso a retomada sustentável do setor.

O setor de serviços é o maior da economia brasileira e representa mais de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB). Mas não pode ser visto isoladamente, pois seu comportamento depende da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor público. É, ademais, altamente diversificado e não totalmente coberto pela PMS, devendo ser analisado em detalhe. Ainda assim, como os dados disponíveis são de boa qualidade, ajudam a entender o que se passa nos vários subsetores.

Em julho, destacaram-se os números dos serviços prestados às famílias, com alta de 3,2% em volume comparativamente a junho e de 3,7% em receita nominal, e dos serviços turísticos, com variações positivas de 0,7% e de 4,1%, nas mesmas bases de comparação.

Um dos setores que arrastam para baixo os indicadores é o de transportes, em especial terrestres. É o caso dos serviços de ônibus, caminhões e automóveis, muito afetados pelo desemprego e pela perda de renda dos trabalhadores.

No plano regional, os maiores avanços mensais do volume de serviços foram registrados em Mato Grosso, Pernambuco, São Paulo, Roraima e Amazonas, seguidos de Minas Gerais e Espírito Santo. O destaque coube a São Paulo, onde a economia é mais desenvolvida e o setor cresceu 1,9%. Mas quedas superiores a 3% foram notadas no Amapá, Ceará, Bahia, Acre e Alagoas, locais onde a recessão é intensa.

Na comparação entre julho de 2015 e julho de 2016, a situação é bem pior. Na média nacional, a queda do volume foi de 4,5%, recorde desde 2012, quando a PMS começou a ser produzida. Por esse critério, só Roraima apresentou crescimento (4,1%). Mas São Paulo, com recuo de 2,2%, ficou acima da média.

A economia só entrará em recuperação quando estiver de volta o dinamismo da área de serviços. Na melhor das hipóteses, isso ocorrerá no último trimestre.

 

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