Recuperação dos EUA pode ser temporária, alertam analistas

Apesar de poucos duvidarem que a economia norte-americana está saindo da recessão, iniciando uma recuperação nos próximos meses, vários analistas temem que esse processo seja apenas temporário e que um novo desaquecimento econômico, mais grave, possa vir a acontecer nos próximos dois anos.Refletindo o crescente temor no mercado desse repique recessivo, a revista The Economist, em reportagem de capa, alertou que os excessos cometidos durante o boom da década de 90, principalmente as enormes dívidas contraídas pelas corporações e indivíduos nos Estados Unidos e em outros países ricos, representam uma ameaça para o futuro.Para que ocorra uma recuperação sustentável nos Estados Unidos - e no resto do mundo - é necessário que o consumo e os investimentos corporativos decolem. Mas os consumidores e as empresas norte-americanas acumulam grandes dívidas. Isso poderá limitar a captação de empréstimos que estimulam qualquer retomada econômica e inibir os gastos da população.Empresas e indivíduos terão que revisar as suas expectativas mais otimistas e cortar gastos para levar as suas dívidas a níveis sustentáveis. O acúmulo de dívidas durante períodos de boom econômico não é um fator novo e necessariamente negativo. Mas desta vez, com a inflação num nível baixíssimo na maioria dos países ricos, a carga de recursos destinada ao pagamento dessas dívidas deverá ser significativa por um período prolongado.Com a inflação próxima a zero, a depreciação do montante a pagar é muito mais lenta. Além disso, a baixa inflação limita o espaço de manobra de política monetária, pois os juros nos Estados Unidos e outros países já estão em níveis muito baixos.Políticas fiscais agressivas poderão ser adotadas, para isso os governos também estão pressionados por suas dívidas. Os analistas alertam que a economia mundial poderá viver um longo período de crescimento lento. Mas uma nova recessão, mais grave, não pode ser descartada.

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