Recuperação dos EUA segue modesta, mas ganha força, diz FMI

Neste cenário, a manutenção dos estímulos é apropriada e o desafio maior será retirar parte deles

Altamiro Silva Júnior, correspondente da Agência Estado,

26 de julho de 2013 | 16h11

NOVA YORK - A recuperação da economia dos Estados Unidos permanece modesta, mas está ganhando terreno. Neste cenário, a manutenção da política monetária altamente acomodatícia no país é apropriada, mas o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) tem desafios significativos à frente, pois a mudança desta política terá consequências mundiais. A avaliação é do Fundo Monetário Internacional (FMI), que nesta sexta-feira publicou um relatório analisando os Estados Unidos.

Os EUA devem crescer 1,7% este ano e 2,7% no próximo, prevê o fundo, níveis menores do que previstos no começo do ano. Depois de crescer 1,8% nos primeiros três meses do ano, o número do segundo trimestre deve ser ainda menor, prevê o FMI. O dado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) dos meses de abril a junho será divulgado pelo governo no próximo dia 31.

A direção do FMI destaca a recuperação do setor imobiliário nos EUA, com alta de mais de 10% no ano nos preços dos imóveis. Apesar desta alta, os níveis de preços continuam bem abaixo dos níveis praticados antes da crise financeira internacional. O mercado de trabalho também vem crescendo e criando novos postos, ressalta o documento.

A inflação sob controle e abaixo da meta do Fed e uma recuperação ainda não tão substancial da atividade econômica abrem espaço para que os estímulos monetários continuem, com juros próximos de zero e injeção de recursos no mercado financeiro, avalia o FMI. A projeção é que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) fique em 1,7% neste ano, abaixo da meta de inflação anual de 2% do Fed. É a política ultra-acomodatícia do Fed que tem fornecido "apoio essencial" para a expansão da atividade econômica e a recuperação de alguns setores, como o imobiliário, disse o diretor do Departamento para o Hemisfério Ocidental, Gian Maria Milesi Ferretti.

O desafio maior do Fed agora será retirar parte destes estímulos. Um dos principais riscos é a reação dos mercados financeiros, que podem provocar volatilidade elevada nas taxas de juros com implicações globais "adversas". Comunicação eficiente da estratégia de redução de estímulos e calibragem do timing das mudanças, diz o FMI, são cruciais para reduzir os riscos.

O Fundo espera que as compras de ativos pelo Fed, de acordo com Ferretti, comecem a ser reduzidas no final deste ano, provavelmente em dezembro, ou mesmo no começo de 2014 e sigam com novas diminuições graduais até pararem totalmente no ano que vem. "Nossa previsão é de que a economia ainda vai ficar fraca no segundo semestre", disse o diretor.

Para os juros próximos de zero, a expectativa é que só voltem a subir no início de 2016, ao contrário dos economistas de Wall Street, que preveem em sua maioria alta a partir de 2015. "Temos projeções menos otimistas que outros agentes, por isso a diferença. Esperamos que a recuperação seja um pouco mais lenta", disse o diretor.

A retirada prematura dos estímulos, alerta o FMI, pode comprometer a recuperação da economia. Por outro lado, a manutenção desta política monetária por muito tempo pode ter consequências desastrosas, ressalta a análise do FMI. Juros excessivamente baixos por longo período podem ter efeitos não desejados na estabilidade do sistema financeiro dos EUA. O relatório fala que já há evidências de que os bancos podem estar dando crédito sem a devida análise de risco e as empresas podem estar se endividando muito. "A supervisão do sistema financeiro permanece essencial."

Ferretti ressaltou na teleconferência que é bem-vindo o aperto na legislação para o sistema financeiro que o Fed está adotando, que inclui a implementação nos EUA a partir de janeiro das regras do Basileia 3, que exigem mais reservas de capital de qualidade dos bancos. 

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