Recuperação global surpreende, diz OCDE

Projeção de crescimento médio dos 30 países que compõem a entidade sai de -1,1% para 0,3%; só Reino Unido vai na contramão

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

A economia mundial está deixando a recessão em uma velocidade maior do que o esperado, segundo a avaliação parcial da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgada ontem, em Paris. Além disso, no segundo semestre, a economia global viverá crescimento, ainda que dependente dos programas nacionais de estímulo à retomada da atividade. A organização também previu o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) nos Estados Unidos e na União Europeia no terceiro trimestre.

A revisão das perspectivas foi anunciada diante da reversão de expectativas aberta pelo fim da recessão na Alemanha, na França e no Japão no segundo trimestre. Em sua última parcial, a OCDE ainda apostava que a retomada da atividade só ocorreria em 2010. Ontem, os economistas da organização anunciaram dados mais suaves. Em 2009, a recessão na Alemanha deverá significar recuo do PIB de 4,8%, menor do que os -6,1% previstos em junho. Na França, a queda do PIB deve ser de 2,1%, em lugar de 3%. No Japão, a retração deverá chegar a 5,6%, também menor que os 6,8% inicialmente estimado.

De outro lado, as perspectivas para os Estados Unidos continuam estáveis para este ano - -2,8% - e pioram para o Reino Unido, que deverá decrescer 4,7%, em lugar de 4,3%. Itália, Espanha e Irlanda também puxarão os resultados da União Europeia para baixo. "A retomada poderá até se mostrar um tanto mais sustentável do que o antecipado anteriormente", afirmou Jorgen Elmeskov, economista-chefe interino da OCDE, alertando: "Não podemos excluir um cenário de crescimento em W, mesmo que os dados recentes reduzam as probabilidades de tal cenário."

No conjunto dos 30 países da zona OCDE - da qual o Brasil não faz parte - as previsões melhoraram para o segundo semestre. No terceiro trimestre, a perspectiva é de crescimento de 0,3%, diante de um recuo de 1,1% previsto em junho. No quarto trimestre, a aceleração continua: 2% de incremento na atividade, bem superior aos -0,5% antes imaginado.

Segundo Elmeskov, o crescimento também volta no conjunto do G7, o grupo de sete países mais ricos do mundo, formado por Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália. No terceiro trimestre, o PIB dos mais industrializados deverá crescer 1,2%, enquanto no quarto o incremento deverá chegar a 1,4%.

Além das cifras do PIB, a OCDE prevê a redução do ritmo de desemprego e a queda menos acentuada que o previsto para o comércio mundial no segundo semestre do ano.

JUROS

A autoridade monetária da zona do euro anunciou ontem, em Frankfurt, na Alemanha, a manutenção da sua taxa básica de juros em 1%. O nível ainda é o menor da história de 10 anos do Banco Central Europeu (BCE).

No intervalo de oito meses, o presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, reduziu a taxa de referência, que no auge da crise chegou a 3,25%, mas não apontou viés. Trichet enfrenta críticas por suposto "conservadorismo excessivo" na condução da política monetária. Ontem, ele voltou a avaliar o índice como "adequado" ao ambiente econômico. "Nossa decisão deverá favorecer a extensão do crédito à economia da zona do euro e continuar a apoiar a retomada do crescimento."

Além da taxa básica de juros, o BCE anunciou suas novas perspectivas de crescimento econômico. Segundo Trichet, em 2009, a retração na Zona do Euro deverá ser de 4,1%, e não 4,6%, como previsto anteriormente. Em 2010, o grupo de 16 países que adota a moeda única retoma a atividade, crescendo 0,2%, em lugar de cair 0,3%, como era estimado.

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