Recuperação ''não é estável nem sólida'', diz premiê chinês

Wen garante manutenção de estímulo à economia, na abertura da versão chinesa do Fórum Econômico Mundial

Cláudia Trevisan, DALIAN, CHINA, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

A China vai manter sua política de estímulo ao crescimento econômico porque sua recuperação não é "estável, sólida nem balanceada", afirmou ontem o primeiro-ministro Wen Jiabao a uma plateia de centenas de executivos de todo o mundo, que cada vez mais olham para a China como fonte da expansão global.

"Não podemos e não vamos mudar a direção de nossas políticas em um momento impróprio. Nossa maior prioridade é manter o estável e rápido crescimento econômico e vamos seguir de maneira inabalável uma política monetária relativamente folgada e uma política fiscal ativa", declarou Wen no discurso de abertura do Fórum Econômico Mundial na cidade chinesa de Dalian, batizado de "Davos de Verão".

Apesar da cautela, o primeiro-ministro apresentou uma série de indicadores para mostrar que a economia do país está bem posicionada para atingir a meta oficial de crescimento de 8% neste ano - que a maioria dos analistas já considera conservadora.

Os mais recentes deles, divulgados ontem, revelam reação do mercado de trabalho e da atividade de construção civil, ambos vistos como fundamentais para a manutenção da expansão chinesa em níveis elevados.

De acordo com dados oficiais, 7,6 milhões de empregos urbanos foram criados nos primeiros sete meses de 2009, o equivalente a 84% da meta de 9 milhões de empregos fixada para todo o ano.

O indicador não inclui os quase 150 milhões de migrantes rurais que buscam trabalho nas obras de construção civil e fábricas das cidades.

Mas, segundo o Ministério de Recursos Humanos e Seguridade Social, 95% dessa massa humana encontrou colocação nos últimos meses, nível semelhante ao registrado em 2008.

As vendas de imóveis tiveram alta de 85% em agosto em relação a igual período do ano passado, enquanto o número de novas construções aumentou 24% na mesma comparação. Estimulado pela demanda, o preço dos imóveis subiu 2% no mês passado, o dobro da alta registrada em julho.

No discurso de ontem, Wen Jiabao disse que o governo está atento a eventuais ameaças à estabilidade econômica. "Devemos estar alertas e prevenir todos os potenciais riscos, incluindo inflação", declarou.

Por enquanto, a China vive um processo de queda de preços, mas existe o temor de que o excesso de liquidez criado pelo pacote de estímulo leve à reversão desse movimento no próximo ano.

O premiê ressaltou que o Partido Comunista não está interessado apenas em atingir a meta de crescimento para este ano, mas em manter um alto ritmo de expansão nos próximos anos.

Para dar ao crescimento chinês um caráter sustentável, Wen defendeu o aumento do consumo interno na composição do Produto Interno Bruto (PIB) e a reestruturação da economia, de forma a reduzir o consumo de energia e de recursos naturais.

Sob o título "Relançar o Crescimento", o encontro reúne empresários, executivos, ministros, acadêmicos e representantes de ONGs para discutir o estado da economia e as medidas necessárias para a retomada da expansão global.

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