Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Recuperação nas vendas no varejo deve motivar abertura de 23,3 mil novas lojas em 2019

País deve registrar uma melhora nos investimentos do varejo brasileiro este ano, mas ainda insuficiente para reverter o fechamento de 223 mil estabelecimentos comerciais

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2019 | 17h47

RIO - O País deve registrar uma melhora nos investimentos do varejo brasileiro este ano, mas ainda insuficiente para reverter o fechamento de 223 mil estabelecimentos comerciais que encerraram suas atividades durante a crise, segundo prognóstico divulgado nesta quinta-feira, 31, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A expectativa é que o País ganhe outras 23,3 mil novas lojas ao fim de 2019. Após três anos de perdas no número de lojas, o comércio varejista brasileiro registrou abertura de 8,1 mil estabelecimentos em 2018.

O levantamento verifica o saldo entre aberturas e fechamentos de loja com vínculos empregatícios no varejo brasileiro. O segmento de hipermercados e supermercados teve melhor desempenho em números absolutos (4.510), seguido pelas lojas de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (1.747) e pelas drogarias, farmácias e lojas de cosméticos (1.439). 

Por outro lado, ainda houve fechamento de lojas nos setores de móveis e eletrodomésticos (-176) e de materiais de construção (-926).

O saldo positivo do ano passado interrompeu uma sequência de três anos no vermelho: em 2015, foram fechadas 101,9 mil lojas; em 2016, 105,3 mil estabelecimentos fechados; e em 2017, houve 15,8 mil fechamentos no varejo.

A CNC lembra que a crise no varejo teve início em 2014, quando as vendas do comércio varejista ampliado (que inclui os segmentos de veículos e material de construção) encolheram 1,7% em relação a 2013, de acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o agravamento da crise nos anos seguintes, as vendas acumularam uma retração de 20% nos três anos de quedas, lembrou Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da CNC. O início de recuperação veio em 2017, quando o faturamento real registrou crescimento de 4,0%.

"Com avanço de 5,3% no volume de vendas de janeiro a novembro, o ano de 2018 marcou a consolidação da recuperação do setor, não apenas do ponto de vista do volume de vendas, mas também de outro termômetro importante: o nível de ocupação. Ao longo do ano passado, 71,6 mil vagas formais foram criadas - melhor saldo anual desde 2014 (154,4 mil)", observou Bentes, em nota oficial.

Para o economista da CNC, a reversão na tendência de fechamento de lojas observada até 2017 foi mais um sinal de recuperação do nível de atividade do varejo. "A inflexão no saldo de abertura de lojas pode ser apontada como uma consequência da reativação do nível de atividade no varejo brasileiro, uma vez que há uma defasagem de pelo menos seis meses entre o aumento contínuo do faturamento e a concretização significativa dos investimentos em novos pontos de venda", completou Bentes.

A CNC projeta um crescimento de 5,8% no volume de vendas do varejo em 2019.

 

Mais conteúdo sobre:
comérciovarejo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.