Felipe Rau/Estadão
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Coluna

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'Recuperação rápida do emprego é uma ilusão', aponta sociólogo

Para José Pastore, mercado de trabalho não terá uma rápida retomada em 'V', mas sim, uma recuperação lenta e desigual nos diferentes setores

Entrevista com

José Pastore, sociólogo da USP e da Fecomércio-SP

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2020 | 22h21

Para o professor da Universidade de São Paulo e presidente do Conselho de Emprego da Fecomércio-SP, José Pastore, a retomada do mercado de trabalho após a pandemia não será em “V” – de forte queda e rápida recuperação. Ele espera a volta lenta do emprego e desigual nos diferentes setores. A seguir, trechos da entrevista:

Como avaliar os dados de desemprego de julho?

Os números são desastrosos, mostram que praticamente tudo piorou. A população ocupada caiu 12,3% em relação ao ano passado. O nível de ocupação, encolheu quase pela metade. Não é surpresa, já que a pandemia foi muito severa, mas não deixa de assustar.

Fica clara a necessidade de o governo agir para que a recuperação seja mais forte? 

Sim. O trabalho informal, por exemplo sumiu. É uma coisa dramática, que nos leva à necessidade de alguma política para o começo do ano. O ministro Paulo Guedes (da Economia) fala em recuperação em ‘V’, mas o mercado de trabalho não vai reagir tão depressa. Talvez tenha idas e vindas, e esse ‘V’ acabe virando um ‘W’.

Os setores devem se recuperar em ritmos diferentes?

Já estão assim. O agronegócio continua bem e, ainda que não gere tantos empregos, ele cria postos indiretos nas comunidades em que está inserido. É um fator positivo para o ano que vem. O governo chegou a falar em reativar a reconstrução de casas populares e as obras paradas, o que seria positivo. O transporte de cargas também já parou de demitir. Os supermercados e farmácias estão mantendo os empregos.

E quais setores ainda vão mal e preocupam?

Escolas particulares, por exemplo, perderam muitos alunos e se espera uma demissão em massa no começo do ano. O mesmo com a saúde privada, com a redução no número de usuários dos planos médicos. E, é claro, o setor de turismo e hotelaria, que falam em recuperação só em 2024.

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