Recurso estrangeiro em Vale e Petrobras garante alta à Bovespa

Capital de fora resultou no ganho das ações com mais força para mexer no índice brasileiro nesta quinta

Claudia Violante, de O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 19h23

Na contramão de Nova York, e após muita volatilidade, a Bovespa sustentou-se em alta no meio da tarde e caminhou assim até o fechamento. Petrobras, Vale e siderúrgicas garantiram o desempenho do Ibovespa, mesmo com a queda das commodities no exterior. Segundo profissionais do mercado, apesar do giro mais fraco, houve ingresso de recursos estrangeiros, daí o ganho das ações com mais força para mexer no índice brasileiro.     Veja Também:   De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    A Bovespa terminou com elevação de 2,87%, aos 41.990,55 pontos, na máxima pontuação do dia. Na mínima, atingiu 40.251 pontos (-1,40%). No mês, acumula alta de 11,83%. O volume financeiro totalizou R$ 4,992 bilhões. Os dados são preliminares.   Os sinais vindos do exterior foram negativos, tanto que as bolsas europeias caíram e as norte-americanas se encaminham para o mesmo. Vários indicadores foram ruins e o setor corporativo não aliviou. A esperança era de que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, pudesse desanuviar o clima ruim com o discurso feito no início da tarde. Mas, embora positivas, as declarações pouco acrescentaram, e os investidores seguiram repercutindo os dados que já tinham em mãos. No final da tarde, entretanto, o clima em Nova York melhorou e as bolsas reduziram as perdas.   Entre outras coisas, Obama disse que entre as medidas de seu pacote econômico estará um corte de impostos para famílias norte-americanas equivalente a US$ 1.000. Devem ser contempladas 95% das famílias, numa forma de incentivar o consumo e tirar a economia do atoleiro. Ele também pretende gastar maciçamente para evitar uma recessão que dure anos e uma taxa de desemprego de dois dígitos.   Os investidores precificaram nos ativos as notícias ruins conhecidas mais cedo, entre elas o anúncio feito pelo Wal-Mart de queda nas vendas totais em dezembro (-0,1%). A maior varejista do mundo também reduziu sua previsão para o lucro de operações continuadas no quarto trimestre. A Macy's Inc, maior rede de lojas de departamentos dos Estados Unidos, foi outra que reduziu sua previsão de lucro para o quatro trimestre do ano fiscal e deve fechar 11 lojas no país por causa da queda nas vendas, de acordo com o The Wall Street Journal. Outras varejistas também anunciaram suas vendas de dezembro hoje e cortaram as previsões de resultados, como Gap, Pacific Sunwear e Macy's.   Um dado do mercado de trabalho, no entanto, foi bom, mas não serviu para diminuir as preocupações com o payroll, amanhã, já que os números divulgados ontem pela ADP no setor privado alarmaram (-693 mil vagas). A previsão para o payroll é -525 mil vagas. Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA inesperadamente caíram em 24 mil na semana encerrada em 3 de janeiro, em dado sazonalmente ajustado, para 467 mil. A expectativa era de aumento de 63 mil pedidos. Por outro lado, o Departamento de Trabalho informou que os benefícios de desemprego recebidos há mais de uma semana atingiram o maior nível desde novembro de 1982, o que neutralizou o número de pedidos de auxílio-desemprego.   Às 18h19 o Dow Jones caía 0,79% e o S&P, 0,18%. Nasdaq virou e subia 0,55%. Na Europa, as bolsas recuaram com a informação de que a confiança do consumidor na zona do euro está no nível mais fraco desde o início da pesquisa. Os dados negativos das companhias de varejo norte-americanas também pesaram na Europa. Para estimular a economia, o Banco da Inglaterra derrubou a taxa básica de juro para o menor nível desde sua fundação, em 1694, ao cortá-la em 0,50 ponto, para 1,5% ao ano. Segundo a instituição, a debilidade da economia deverá perdurar.   A Bolsa de Londres fechou em baixa de 0,05%, a de Paris perdeu 0,65% e a de Frankfurt, 1,17%. As bolsas europeias foram afetadas principalmente por papéis de mineradoras e petrolíferas, que sofrem com o declínio dos preços das commodities.   Apesar da queda dos metais e do petróleo no mercado externo, Vale, Petrobras e siderúrgicas saíram-se bem no Brasil, com altas firmes que sustentaram o desempenho da Bovespa.   Patrícia Blanco, sócia-gestora da Global Equity, avaliou que o noticiário, hoje, justificaria a queda da Bovespa, mas chama a atenção para o clima um pouco melhor neste início de ano e também a volta dos estrangeiros, aos poucos, para dar sustentação aos papéis, como o que houve nesta quinta-feira.   Petrobras ON subiu 5,27%, PN, 4,29%, Vale ON, 4,45%, PNA, 3,71%, Gerdau PN, 6,82%, Metalúrgica Gerdau PN, 6,84%, Usiminas PNA, 4,13%, e CSN ON, 6,95%.

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