Recurso externo na indústria recua 47%

De janeiro a maio, entrada de investimento externo direto no setor ficou em US$ 5,8 bi, ante US$ 10,9 bi no mesmo período de 2012

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2013 | 02h05

O ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) para a indústria caiu 47% neste ano. Entre janeiro e maio, o setor recebeu US$ 5,8 bilhões, abaixo dos US$ 10,9 bilhões no mesmo período de 2012. Os dados são do Banco Central e foram compilados pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet).

A queda dos recursos para a indústria supera o recuo total de IED para a economia brasileira, que caiu 23% no mesmo período, de US$ 21,7 bilhões para US$ 16,7 bilhões. O setor de serviços foi o único a apresentar crescimento no período, alta de 6% (de US$ 7,5 bilhões para US$ 8 bilhões). A agropecuária teve queda de 7% (de US$ 3 bilhões para US$ 2,8 bilhões).

"Estamos surfando numa onda negativa de investimento para o setor industrial no mundo e o Brasil não é uma exceção. Há vários fatores contra nós, como perda de dinamismo, redução do consumo e da renda real por causa da inflação mais alta", afirmou Luís Afonso Lima, presidente da Sobeet. As principais quedas na indústria são verificadas nos setores de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-79%), metalurgia (-75%) e produtos químicos (-55%).

A indústria também vem perdendo participação do IED. Até maio, 35% dos investimentos fora para o setor - é o número mais baixo desde 2008, quando a fatia industrial foi de 32%.

No ano passado, o agravamento do cenário internacional, sobretudo na Europa, deixou evidente a dificuldade de circulação de fluxos de investimentos em todo o mundo. Em relação a 2011, a queda foi de 18%, e com isso os investimentos estrangeiros ficaram abaixo do período pré-crise mundial. Na indústria global, a queda de recursos disponíveis para fusões e aquisições no setor foi de 33%, de US$ 205 bilhões para US$ 137 bilhões, e de 42% para novos projetos, de US$ 453 bilhões para US$ 264 bilhões.

Com um cenário internacional menos amigável, ficou evidente a perda de competitividade da indústria brasileira, com um encarecimento da produção. Isso ajuda a afastar novos investimentos e abre caminho para a importação.

Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, o valor do aço no Brasil é cerca de 40% a 60% mais caro do que na Europa. "O custo médio de capital de giro para uma empresa associada da Abimaq é de 30% a 40% ao ano. Não dá para competir com uma empresa da Alemanha, onde esse custo não passa de 3%", afirmou Velloso.

As barreiras que travam e encarecem a produção da indústria nacional, aliadas ao real valorizado, fizeram com que o produto brasileiro ficasse 34,2% mais caro em 2012 em relação aos principais parceiros comerciais que exportam para o Brasil, segundo estudo da Fiesp.

"Essa relação deve mudar com o real mais desvalorizado este ano. A competitividade melhora, mas, para o consumidor, o mercado vai diminuir de tamanho", disse José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp. "Para a indústria, a alta do dólar pode trazer mais impactos positivos do que negativos."

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