Recurso para microcrédito cai em 2006, mostra BC

A parcela de recursos destinados pelos bancos aos programas de microcrédito caiu no ano passado para 56% do exigido, sugerindo que as instituições estão preferindo manter o dinheiro parado no Banco Central a correr o risco de emprestar a correntistas de baixa renda. A partir de setembro de 2004, em um esforço do governo para gerar emprego e renda, os bancos ficaram obrigados a destinar 2% de seus depósitos à vista a programas de microcréditos, com taxas de juros reduzidas. Os recursos que não são emprestados ficam depositados no Banco Central, sem rendimentos para os bancos. Em dezembro do ano passado, do total de R$ 1,741 bilhão que deveriam ser destinados ao microcrédito, apenas 56% estavam aplicados, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira. O restante estava depositado junto à autoridade monetária. Em dezembro de 2005, R$ 1,063 bilhão, ou 69,7% do exigido, estava emprestado, nível mais alto desde que o programa foi criado. Para tentar ampliar essa oferta de crédito à população de baixa renda, o Conselho Monetário Nacional elevou, em novembro passado, os limites máximos para operações de microcrédito. Subiu de R$ 1.500 para R$ 3 mil reais o limite para as operações destinadas a viabilizar empreendimentos produtivos e de mil para R$ 3 mil reais o saldo médio mensal máximo em contas de depósito para que a pessoa física possa contratar operações de microcrédito. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse nesta segunda-feira não ter uma avaliação de por que os bancos não estão querendo correr o risco de investir no microcrédito. Procurada, a Febraban não comentou o assunto.

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