Recursos de Rússia e México migram para o Brasil, diz consultor

Está crescendo a participação do Brasil na alocação de recursos de investidores nos fundos de dívida de mercados emergentes, de acordo com Brad Durham, diretor-gerente do EmergingPortfolio.com, consultoria que monitora o fluxo de recursos para fundos de investimentos globais. "A forte alta nos preços dos C-Bonds e a queda na taxa de risco-Brasil para abaixo de 1.000 pontos-base deverá reforçar essa maior migração de recursos para o Brasil?, disse. Segundo ele, o Brasil não somente está atraindo mais investimentos como se beneficia da migração de recursos antes alocados na Rússia e no México.Até o início de março, o peso da alocação no Brasil nos fundos de dívida de emergentes era de 15,38%, abaixo apenas da participação da Rússia, que era de 17,57%, e acima da alocação para o México, de 13,66% numa amostra de 25 maiores fundos de dívida de emergentes com patrimônio líquido de US$ 4 bilhões. "Na próxima atualização do peso dos países nessa alocação, que acontecerá em meados deste mês, deveremos ver um aumento na participação do Brasil no volume de recursos alocados pelos investidores dentro dos fundos de emergentes", disse Durham.Ele afirmou que o desempenho dos indicadores macroeconômicos do País, refletidos na apreciação dos títulos da dívida e do câmbio, e o compromisso do governo com as reformas estruturais têm incentivado os investidores a migrar para os títulos brasileiros. "Especialmente porque o Brasil oferece ainda um elevado nível de retorno. E há ainda mais potencial de alta, haja vista que os spreads da dívida brasileira ainda estão cerca de 350 pontos-base acima do índice EMBI+, que é o ´benchmark´ (índice de referência) para esse mercado", acrescentou.No primeiro trimestre deste ano, os fundos de dívida de mercados emergentes registraram a maior captção líquida entre as categorias de fundos monitoradas pelo EmergingPortfolio.com, com ingressos líquidos de US$ 948,2 milhões (no acumulado do ano até o último dia 26 de março), correspondendo a um ganho líquido equivalente a 11,5% do patrimônio total. "Foi o maior ingresso líquido pelos fundos de dívida de emergentes desde que começamos a acompanhar essa categoria de fundos, em 1995", disse Durham.O EmergingPortfolio.com recebe informações de captação e de performance de 171 fundos de dívida de mercados emergentes, com um patrimônio total de quase US$ 10 bilhões. "Esse movimento de captação líquida pelos fundos de dívida de emergentes já dura seis meses. Vejo essa tendência positiva continuar, especialmente em razão das incertezas com a guerra contra o Iraque, que tem feito os investidores evitarem ações e buscarem ativos com maior retorno", explicou Durham.

Agencia Estado,

02 de abril de 2003 | 15h12

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