Recursos do FGTS para grupos sob investigação

O Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) aplicou mais de R$ 10,6 bilhões em empreendimentos de empresas relacionadas, direta ou indiretamente, com grupos sob investigação na Operação Lava Jato, segundo reportagem de Mariana Durão e Vinicius Nader, da sucursal do Estado no Rio. É um montante vultoso, que representa cerca de um terço do patrimônio líquido do FI-FGTS. Isso justifica a exigência dos titulares do fundo (ou seja, os trabalhadores) de transparência das aplicações, pois o FGTS representa a principal fatia da poupança financeira da maioria dos empregados com carteira assinada.

O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2015 | 02h04

Em setembro, o FI-FGTS dispunha de ativos de quase R$ 31,5 bilhões, como consta do site da Caixa Econômica Federal (CEF), que gere o fundo recebendo comissões anuais da ordem de 0,8% de seu patrimônio. Em dezembro, segundo a reportagem, esse patrimônio chegou a R$ 32 bilhões.

As aplicações são concentradas em menos de 40 empresas e, destas, 6 se destacam: BNDES, Odebrecht Transport e Odebrecht Ambiental, Sete Brasil, VLI e Prumo Logística, que juntas receberam 37,2% dos recursos do fundo em setembro. Entre aquelas cujos grupos foram citados na Operação Lava Jato estão também a OAS Óleo e Gás e a OAS S.A., com R$ 1,1 bilhão de créditos.

Há pouca informação pública sobre as operações do FI-FGTS. Em 2014, um grupo financiado opôs-se a que um concorrente também recebesse recursos do fundo, que indicaria representantes nas duas empresas. Não foi o único caso de conflito de interesse - e o Tribunal de Contas da União (TCU) pediu uma investigação para evitar a ocorrência de conflitos dessa natureza.

O que parece faltar ao fundo são mecanismos rigorosos de governança corporativa, em especial no seu órgão mais importante, o comitê de investimento, formado por bancadas do governo, dos trabalhadores e dos empregadores.

Empresas citadas na Operação Lava Jato sofrem uma enxurrada de ações, mostrou a repórter Renée Pereira, segunda-feira, no Estado, e enfrentam dificuldades para se financiar. Apenas uma - a Sete Brasil - já devia R$ 2,3 bilhões em setembro e o montante chegou em dezembro a R$ 3 bilhões.

Cabe indagar como os gestores do FI-FGTS vão administrar esses empréstimos, para que o fundo não esteja sujeito a calotes, como aqueles que já declara em seus demonstrativos.

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