Recursos para compra da Kaiser entraram hoje

Os recursos da canadense Molson Inc, que anunciou a aquisição da Cervejarias Kaiser, entraram hoje no Brasil, segundo informou o CEO da empresa compradora, Dan O´Neill. Segundo ele, os recursos entraram hoje pela manhã no país. De acordo com a agência Dow Jones, a Molson pagou pela Kaiser US$ 190 milhões em dinheiro vivo e o restante em ações. No mercado de câmbio, o dólar fechou hoje em queda; a entrada de dinheiro do Exterior para a compra da Kaiser foi um dos fatores que levaram à queda. SeaeO secretário de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, Claudio Considera, afirmou hoje à Agência Estado que "em princípio" não identificou problemas de concentração na compra da Kaiser pela canadense Molson. Mesmo assim, o secretário já determinou aos técnicos da Seae que acompanhassem a operação. "O nível de concentração é muito baixo", disse ele. O secretário lembrou que a menor concentração de mercado da concorrente Ambev é de 65%. "Tem mercados que a Ambev tem uma concentração ainda maior", comentou. Segundo ele, na região Centro-Oeste, a Ambev tem um concentração de mercado superior a 90%. O secretário disse ainda que a Kaiser e Bavaria são cervejas que concorrem em mercados diferentes. A Seae é uma dos órgãos do Sistema Brasileiro de Concorrência que dá parecer sobre operações de fusões e aquisições de empresas. O paracer da Seae serve de subsídio para o julgamento do Cade. SBDCJá o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, informou no início da noite que a compra da Kaiser pela cervejaria canadense Molson também será avaliada pelos órgãos do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC). Segundo o secretário, a avaliação dessa compra será feita porque a Lei de Defesa da Concorrência exige que todas as aquisições ou fusões que envolvam montantes superiores a US$ 400 milhões sejam apreciadas pelos órgãos competentes. A Molson desembolsará cerca de US$ 765 milhões na aquisição da Kaiser. Ribeiro ressaltou que nessa operação, em particular, não haverá necessidade de pedido de medida cautelar, como foi apresentado pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda em outros três casos de fusão que estão sendo analisados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). "A concentração (de mercado), neste caso, é da concorrente", disse Ribeiro. A principal concorrente do novo grupo Molson-Kaiser, no mercado interno de cervejas, é a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev), que agrega as três principais marcas brasileiras de cerveja - Antárctica, Brahma e Skol. Apesar da aparente tranquilidade em que esse processo deverá tramitar, existe uma questão que terá que ser avaliada em detalhe pela Seae, a SDE e o Cade. A Molson já adquiriu, da AmBev, a cerveja Bavária. O problema é que, quando o Cade determinou à direção da AmBev a venda desta cerveja (Bavária), os conselheiros entenderam que ela não poderia ser adquirida pela Kaiser. O argumento, na época, era de que a cerveja deveria ser vendida para um outro grupo, abrindo assim a possibilidade de entrada de novos participantes no mercado brasileiro. "Essa questão será objeto de análise", disse Ribeiro. Com a compra da Kaiser, a participação da Molson no mercado brasileiro de cervejas passará dos atuais 3,1% (market share da Bavária) para 17,8%. A operação garantirá ainda à cervejaria canadense a 13º posição no mercado mundial de cervejas.

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