Recursos para o BNDES elevam a dívida pública

Entre maio e junho, a dívida mobiliária federal aumentou 3,77%, ou R$ 80 bilhões em termos brutos, segundo o Tesouro Nacional. Foi um aumento expressivo, que superou a inflação e a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), provavelmente próxima de zero, no segundo trimestre. A dívida, portanto, cresceu em relação ao PIB - e, como o custo do seu carregamento foi de 11,05% nos últimos 12 meses, bem maior do que a inflação, aumentou a pressão adicional sobre as contas públicas.

O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2014 | 02h03

Junho foi um mês atípico, pois, do aumento líquido de R$ 64,2 bilhões, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu R$ 30 bilhões em papéis. E, para pagar juros, o Tesouro emitiu R$ 15,8 bilhões em títulos.

Os R$ 30 bilhões em títulos enviados pelo Tesouro ao BNDES permitirão ao banco aumentar seus empréstimos. Para transformar os papéis em dinheiro, o BNDES os coloca no mercado na medida da demanda de crédito. Os papéis rendem taxas prefixadas, flutuantes ou são corrigidos por índice de preços. Mas, como receberá do BNDES o valor corrigido pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de 5% ao ano, o Tesouro terá perdas.

A emissão para o BNDES facilitou o ajuste da dívida ao Plano Anual de Financiamento, pois reduziu a emissão de LFTs, com taxas flutuantes, que seguem o CDI: foram emitidos R$ 15 bilhões em prefixados (LTNs), R$ 8 bilhões em papéis corrigidos pelo IPCA e R$ 7 bilhões em NTN-F, com pagamento semestral de juros. As LFTs são procuradas, pois sua remuneração acompanha os juros básicos, mas o Tesouro evita emiti-las, preferindo a previsibilidade propiciada pela dívida corrigida pela inflação ou prefixada.

Pode-se afirmar que, em junho, faltando quatro meses para as eleições, a administração da dívida foi satisfatória e a demanda por papéis federais, razoável. O encurtamento do prazo médio dos títulos foi pequeno, de 6,6 anos em maio para 6,47 anos em junho. Excluindo as emissões diretas destinadas ao BNDES, os aplicadores não residentes (estrangeiros) elevaram sua participação de 18,22% na dívida mobiliária interna federal para 18,43%. Parece pouco, levando-se em conta a atratividade dos juros brasileiros.

O governo mostra dispor de acesso ao crédito, como se viu pela demanda de títulos soberanos (US$ 3,55 bilhões) colocados no mercado global. Mas o custo são os juros altos, acima dos pagos pelo México e pela Colômbia, por exemplo.

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