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Rede Abercrombie é acusada de discriminação

Órgão de direitos humanos da França investiga processo de seleção baseado na aparência

Economia & Negócios,

30 de julho de 2013 | 16h45

SÃO PAULO - A rede varejista americana Abercrombie & Fitch, famosa por seus modelos masculinos sem camisa, está sendo acusada de discriminação na Europa. A empresa é acusada de contratar jovens apenas pela boa aparência.

O órgão de defesa dos direitos humanos da França anunciou na semana passada que está investigando a cadeia que tem sede em Ohio, nos Estados Unidos.

A Abercrombie, especializada em roupas de jovens, é conhecida por suas lojas com iluminação tênue, música alta e funcionários atraentes. Os atendentes exibem a boa forma física na porta de entrada das maiores lojas nas grandes cidades do mundo.

Em uma declaração por escrito à rede americana CNBC, um porta-voz Abercrombie disse: "Nossa intenção é cumprir com as leis de cada país em que operamos, e estamos comprometidos com a diversidade e inclusão em toda a nossa força de trabalho."

Leon Glenister, advogado especializado em direito discriminação em Londres, disse à rede de notícias CNBC que o crescente interesse do público no processo de contratação da empresa poderia levar a mais desafios contra a empresa.

"O interesse na forma de recrutamento da empresa é movido mais por razões morais do que legais", disse ele. "Se a empresa diz que só quer contratar pessoas de boa aparência, eles estão em águas perigosas."

Embora não seja ilegal, a contratação de pessoas pela sua aparência pode configurar discriminação no Reino Unido e na União Europeia. A legislação proíbe as empresas de discriminar pessoas no processo de seleção por idade, raça ou deficiência.

Em uma entrevista em 2006 ao site de notícias salon.com, citado pelo órgão de direitos humanos da França, Mike Jeffries, presidente da Abercrombie, admitiu que recrutava pessoal atraente por razões de marketing.

"É por isso que contratamos pessoas de boa aparência em nossas lojas", disse ele na entrevista. "Porque as pessoas de boa aparência atraem outras pessoas de boa aparência, e queremos vender para pessoas de boa aparência", disse.

Em 2009, a estudante de Direito Riam Dean, que tem um braço protético, ganhou uma ação trabalhista contra a empresa depois de ter sido transferida para trabalhar no almoxarifado, porque não se encaixava na imagem da marca. Na época ela recebeu uma indenização de US$ 12,3 mil.

A cadeia também é criticada por sua política de dimensionamento das roupas. Ativistas argumentam que os tamanhos 'discriminam' os clientes mais gordos. Quase 80 mil pessoas já assinaram uma petição online no Change.org convidando a empresa a oferecer tamanhos maiores.

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