Fernando Scheller/Estadão
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Rede busca mão de obra sem experiência em polos agrícolas

Garçom experiente não tem vez: Madero exige que funcionário siga cartilha de atendimento sem questionamentos

Fernando Scheller, Enviado especial / Curitiba

01 de novembro de 2015 | 05h00

Ao buscar mão de obra para seus restaurantes, a rede Madero atrai a atenção de potenciais candidatos com anúncios em que procura garçons exigindo uma só coisa: que o candidato não tenha qualquer experiência prévia. Em troca, oferece salário, benefícios, alojamento próximo ao local de trabalho e quatro refeições ao dia.

O fundador da rede, o chef Junior Durski, afirma que prefere “folhas em branco” na hora de formar sua equipe de atendimento. Para conseguir isso, vai a regiões em que a economia se baseia principalmente no agronegócio – caso de sua cidade natal Prudentópolis, no centro-sul do Paraná, onde iniciou a estratégia – e divulga que o Madero está buscando gente sem experiência em rádios locais.

Um dos profissionais que ouviu a proposta em uma emissora de Prudentópolis foi Paulo Pasko, um técnico agrícola recém-formado que na época tinha 17 anos. Em poucos dias, Pasko começaria a trabalhar como garçom quando o Madero ainda era uma pequena e deficitária rede de hambúrguer gourmet. Desde então, passou por todas as funções possíveis dentro de uma unidade da empresa: foi garçom, subgerente, gerente e agora é gestor do restaurante do Shopping Estação, que hoje fatura R$ 700 mil por mês.

Pela lógica de Durski, um funcionário sem experiência prévia vai aceitar com mais facilidade as regras de atendimento definidas pela rede – sem questionamentos. O empresário também acredita que um funcionário é capaz de aprender as habilidades necessárias para uma nova função com o treinamento oferecido pelos superiores. 

A antiga gestora da loja do Shopping Estação, por exemplo, ensinou Pasko a organizar a administração do restaurante. No cargo, ele é hoje responsável não só por garantir o padrão de qualidade de atendimento no salão e da comida que sai da cozinha, mas também pela folha de pagamento dos funcionários e pelo estoque. “No início, abríamos o computador juntos para eu aprender tudo”, lembra Pasko, hoje com 24 anos.

Com o programa de carreiras, a rotatividade de pessoal do Madero hoje está 15% ao ano, ante a média de 55% do setor, diz Cássio Souza, diretor de recrutamento, que trabalha com Durski desde a época da madeireira. “A contratação e qualificação é um diferencial competitivo do Madero”, diz Paulo Solmucci Junior, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

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