Rede City Lar se une à Máquina de Vendas

Com a fusão, oficializada ontem, a empresa, que já reunia Insinuante e Ricardo Eletro, estará presente em 23 Estados, além do Distrito Federal

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2010 | 00h00

A Máquina de Vendas, união da baiana Insinuante com a mineira Ricardo Eletro, se tornou a varejista de eletrodomésticos e eletrônicos com a maior cobertura territorial do País ao confirmar ontem a fusão com a rede City Lar, com sede em Mato Grosso, conforme havia antecipado ontem o o "Estado".

Com a incorporação da City Lar, a Máquina de Vendas estará presente em 23 Estados e o Distrito Federal, enquanto a líder do setor em faturamento e pontos de venda, fruto da fusão ainda pendente das Casas Bahia com Ponto Frio e Extra Eletro, tem lojas em dez Estados e no Distrito Federal.

Além de expandir sua atuação geográfica, com o negócio a companhia amplia em R$ 1,1 bilhão o faturamento anual, de R$ 5 bilhões para R$ 6,1 bilhões. O número de funcionários salta de 15 mil para 20 mil e a quantidade de lojas de 550 para 750.

Um dos motivos apontados pela direção da Máquina de Vendas para fechar o negócio foi a forte presença da City Lar nas regiões Centro-Oeste e Norte, onde tanto a Insinuante como a Ricardo Eletro não conseguiram se consolidar como líderes.

"A Máquina de Vendas une-se à City Lar para consolidar a liderança no Centro-Norte do País", informou o comunicado da empresa distribuído à imprensa. Segundo a assessoria da empresa, os executivos das três companhias, Ricardo Nunes (Ricardo Eletro), Luiz Carlos Batista (Insinuante) e Erivelto Gasquez (City Lar), estão fora do País. Por isso, não deram entrevistas.

Fundada em 1979 em Mirassol D"Oeste, no sudoeste de Mato Grosso, pelo pai de Gasquez, a City Lar tem uma trajetória ligada ao crescimento da região, que tem como atividade principal o agronegócio. Com 200 lojas espalhadas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do País, a rede atingiu a liderança no Centro-Oeste e no Norte e despertou o interesse da Máquina de Vendas.

Alcance. Para preservar a capilaridade regional da nova sócia e tirar partido da sua marca forte, a direção da Máquina de Vendas decidiu que a bandeira de suas lojas localizadas na Região Norte, em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul será City Lar. Já a Insinuante será a marca registrada das lojas localizadas no Nordeste, enquanto a Ricardo Eletro batiza os pontos de venda que ficam no Sudeste, Goiás e no Distrito Federal.

"Com esta associação, consolidamos nossa posição como líder em capilaridade regional e player melhor posicionado para capturar o crescimento do Nordeste, Norte e Centro-Oeste do País", disse Batista, da Insinuante, no comunicado.

Para especialistas, a decisão da Máquina de Vendas de abrir o leque e incorporar mais uma rede com cobertura geográfica diferente da Insinuante e da Ricardo Eletro é mais uma resposta à união entre Casas Bahia, Ponto Frio e Extra Eletro, anunciada no começo de dezembro do ano passado. Além disso, confirma a tendência do setor de formação de grandes grupos varejistas.

"O lucro no comércio é resultado da margem multiplicada pelo volume de vendas. Como as margens estão sendo achatadas, os varejistas precisam ampliar os volumes para sobreviver", afirma o presidente do Conselho do Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), Claudio Felisoni.

Ele destaca que, com o baixo custo de obter informações sobre preços e condições de pagamento, graças ao uso da internet, o varejo se vê pressionado para ganhar nos volumes.

Tadeu Masano, professor de Marketing da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, também considera que as fusões são uma tendência no varejo em geral, não só no setor de eletrodomésticos e eletrônicos. Segundo ele, as redes de eletrodomésticos e móveis estão reproduzindo hoje um movimento que ocorreu no passado no varejos de alimentos, capitaneado pelos supermercados. "Hoje, a diferença da ordem de grandeza do faturamento das três grande s redes de supermercados e as demais é enorme. No setor de eletrodomésticos, essa tendência também está se consolidando."

Apesar de ser uma tendência, Felisoni adverte que há risco na formação de grandes blocos varejista, como, por exemplo, compatibilizar culturas diferentes das empresas. "É como ocorre num casamento."

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