Rede de energia elétrica fica mais ''inteligente''

Banda larga é o primeiro dos serviços que aproximam setores de energia e telecomunicações

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

A tecnologia que permite o acesso à internet rápida pela tomada, que teve o regulamento aprovado no mês passado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é somente o primeiro passo de uma revolução que nasce do encontro dos setores de energia, telecomunicações e informática. A rede elétrica está prestes a se tornar mais inteligente, numa tendência chamada "smart grid". Nos Estados Unidos, o governo Barack Obama destinou US$ 5 bilhões para projetos nessa área.

No entanto, a banda larga pela tomada não tem conquistado destaque no mercado americano. Lá, as distribuidoras de energia viram na tecnologia - chamada de Powerline Communications (PLC) ou Broadband Over Power Lines (BPL) - uma solução voltada mais para áreas rurais.

"É uma ótima opção, apesar de o mercado não a ter abraçado", disse Meredith Baker, integrante da Federal Communications Commission (FCC), a agência reguladora de comunicações do EUA, que participou na quarta-feira do evento TIC 2020, em São Paulo. Segundo ela, isso se deveu mais a uma posição conservadora das distribuidoras americanas de eletricidade do que a problemas com a tecnologia, que tem preço e desempenho comparáveis ao ADSL (que usa os fios telefônicos comuns) ou cabo. "Ela é muito competitiva."

Nem todos compartilham desse entusiasmo. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou esta semana que a tecnologia ainda vai demorar três ou quatro anos para decolar no País. John O"Farrell, vice-presidente da Silver Spring Networks, disse, em entrevista por telefone, que as distribuidoras dos EUA testaram e desistiram, por causa do custo e por causa de interferências.

Nicolas Maheroudis, diretor de Projetos de BPL da Eletropaulo Telecom, disse que a empresa encontrou poucos problemas de interferência nos testes que fez. Desde novembro, a empresa tem o sistema instalado em 300 prédios nos bairros de Cerqueira César, Pinheiros e Moema, em São Paulo.

Os testes incluíram 150 apartamentos, e a velocidade do acesso chega a 10 megabits por segundo (Mbps). Agora, a Eletropaulo Telecom negocia com operadoras de telecomunicações que queiram usar a sua rede para prestar o serviço de banda larga.

"O terminal ainda é um pouco caro, custando por volta de R$ 300, comparado a R$ 80 do ADSL", reconheceu Maheroudis. "Mas, com o aumento da escala e a fabricação local, esse preço deve cair."

Para Elton Tiepolo, executivo de Utilities da IBM Brasil, a banda larga via energia elétrica se aplica bem a dois extremos: edifícios com grande concentração de pessoas, onde é difícil passar cabos, e áreas rurais, onde outras redes não chegam.

O BPL é só o começo. A rede elétrica inteligente tem um potencial muito grande. As distribuidoras poderão, por exemplo, oferecer pacotes diferenciados, com desconto fora do horário de pico, ou até planos pré-pagos.

"No Brasil, dispositivos como medidores eletrônicos podem reduzir muito a fraude", disse o professor Antonio Marcos Ferraz de Campos, do Mackenzie.

COMO FUNCIONA

Na tomada: O sinal de internet é distribuído pela rede elétrica da residência. O usuário utiliza um modem, que é conectado em qualquer tomada da casa, e por meio dele consegue navegar na rede mundial. Em algumas soluções, a tecnologia é usada somente para rede local

Smart grid: A rede inteligente começa com a instalação de medidores eletrônicos na casa do consumidor. A distribuidora consegue oferecer pacotes de serviços de acordo com o perfil de uso

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.