Roberto Lima/Obramax
Roberto Lima/Obramax

Rede de materiais de construção Obramax prevê investimentos de R$ 1,5 bilhão no Brasil

Dinheiro será usado na abertura de 18 de lojas, principalmente em Estados do Sul e do Sudeste; empresa é controlada pelo grupo francês Adeo, também dono da Leroy Merlin

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2021 | 11h59

A rede de atacarejo de materiais de construção Obramax vai investir R$ 1,5 bilhão no Brasil até 2025.  Os recursos - uma parte própria e outra financiada pelo mercado - serão direcionados à abertura de 18 lojas. A rede é controlada pelo grupo francês Adeo, também dono da Leroy Merlin. O investimento vem em um momento em que outros grupos estrangeiros, como a Sony e a Ford, anunciam sua saída do País. 

A primeira nova loja, que se juntará às duas em funcionamento no bairro paulistano da Mooca e na cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo, começa a operar este ano e será no Estado do Rio de Janeiro. A empresa não revela o faturamento atual, mas a intenção é atingir vendas  anuais de R$ 5 bilhões quando as 20 lojas estiverem em operação.

Michael Reins, CEO da Obramax, diz que o foco da expansão são cidades dos Estados do Sul e do Sudeste, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná. O Distrito Federal também está no foco. “O porte dos municípios nos quais abriremos lojas varia, olhamos a aglomeração do entorno”, diz.

A decisão de investir num momento em que há muitas dúvidas  no mercado sobre o desempenho da economia brasileira, com o fim do auxílio emergencial e o avanço da inflação que diminuem o poder de consumo, pode soar estranho. Mas o executivo ressalta  que o Grupo francês está no Brasil desde 1998, já passou por muitas crises e tem compromisso de longo prazo.

Além disso, desde 2018, quando abriu a primeira loja de atacarejo de materiais de construção, vem alcançando bons resultados com esse tipo de unidade. “Antes  da pandemia já vínhamos observando uma boa aceitação desse modelo de loja tanto pelo público profissional como pelo consumidor final.”

Como funciona o atacarejo

Voltadas  para profissionais da construção civil, pequenos lojistas e consumidores finais, as lojas repetem o modelo de sucesso do atacarejo de alimentação. O foco é a venda, desde produtos básicos até itens de acabamento pesado, para profissionais  e consumidores de menor renda, das camadas de C, D e E. Esse estrato social responde por 83% das vendas das duas lojas em operação. O diferencial é o preço menor.

No ano passado, as vendas nas lojas físicas da empresa cresceram 52% em relação ao ano anterior, e no e-commerce houve um salto de 362%. "Nós nos beneficiamos do auxílio emergencial, mas em janeiro e fevereiro deste ano há uma dinâmica bastante positiva de crescimento ainda”, diz o executivo. Ele destaca também que o País é atraente porque  tem 200 milhões de habitantes e diz que não há muitos mercados no mundo com esse potencial.

No ano passado, as vendas do setor de materiais de construção cresceram 11% e o faturamento atingiu R$ 150,5 bilhões, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Pressões

Por conta do crescimento da procura doméstica e do avanço do dólar, que torna as exportações mais atraentes e também pressiona os preços de muitas matérias-primas, Reins conta  que há gargalos no abastecimento de vários produtos, como aço, alumínio, madeiras, pregos, parafusos e tubos de PVC. “Temos recebido comunicados da indústria suspendendo a cotação de preços.”

Ele conta que a empresa não tem escapado da inflação e que, em determinados materiais, enfrentou aumentos de preços da ordem de 100%. “Isso nos preocupa e temos conversado com os fornecedores para que as coisas façam sentido”, diz o executivo. Ele admite  que, às vezes, tem entrado em queda de braço com a indústria para conter exageros nos reajustes.

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