ARI FERREIRA/ESTADAO-27/4/2017
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Rede atacadista lança maquininhas de cartão

Em vez de cobrar aluguel, como é usual no setor de adquirência, a rede de atacarejo Assaí, do Grupo Pão de Açúcar, vai vender os equipamentos a pequenos empreendedores

Dayanne Sousa e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 15h46

A rede de atacarejo Assaí, do Grupo Pão de Açúcar (GPA), está entrando no mercado de maquininhas de cartão. A companhia vai vender os equipamentos (POS, na sigla em inglês) a pequenos empreendedores, competindo diretamente num mercado que vem crescendo desde as primeiras apostas, capitaneadas pela PagSeguro, do Uol.

Embora tenha se popularizado entre famílias como um destino de compras, o atacarejo ainda tem 45% de suas vendas feitas a pessoas jurídicas, sobretudo donos de pequenos negócios como bares, pizzarias e padarias. É esse o público que a companhia pretende conquistar com a maquininha.

"Existe a falsa impressão de que os competidores que já oferecem esse produto hoje atingem todos os públicos, mas há um desassistido, o de pequenas empresas", diz o diretor Financeiro do Assaí, José Marcelo Santos, em entrevista ao Broadcast. "Nosso principal motivador é que temos a circulação desse público que demanda esse tipo de solução dentro das nossas lojas", acrescenta.

Batizada de "Maquininha Passaí", a novidade começa nas lojas da rede em São Paulo e deve ser levada a todos os 130 pontos de venda até meados de novembro.

O modelo de negócios do Assaí no setor será parecido com o de outros competidores que já miram os micro e pequenos empreendedores. A maquininha será vendida, diferente do modelo tradicional do setor de adquirência, que cobra aluguel do terminal.

Além da PagSeguro, foram nesta direção a Cielo por meio da aquisição da irmã Stelo, Itaú Unibanco com a família Credicard/Pop e ainda o gaúcho Banrisul. Segundo Santos, o preço do equipamento vendido no Assaí será "competitivo" em relação a esses concorrentes.

O Grupo Pão de Açúcar tem uma parceria financeira com o Itaú Unibanco, por meio da qual a Financeira Itaú CBD, chamada de FIC, oferece exclusivamente cartões de crédito, serviços financeiros e seguros nas suas lojas. Essa financeira será a responsável pelas maquininhas. O negócio tem ainda como subadquirente a RedePay.

Ao lançar uma maquininha própria, o Assaí vai na mesma direção de Bradesco e Banco do Brasil, que encaparam os terminais da Cielo com as suas marcas para impulsionar a oferta de máquinas. A Caixa Econômica Federal também negocia uma parceira neste sentido. No entanto, a aposta de terminais customizados já contempla a estratégia de outras companhias de fora do setor financeiro como, por exemplo, a BR Distribuidora.

Junto com a venda das maquininhas, o Assaí espera engrossar receitas financeiras com a cobrança da taxa de desconto sobre a venda, MDR. O negócio contempla ainda a oferta de antecipação de recebíveis, importante fonte de recursos para as adquirentes.

Além de gerar receita adicional, o grupo espera aumentar a fidelização dos clientes. Para isso, 10% do cobrado em MDR será devolvido ao empreendedor que tiver a maquininha em forma de pontos, que podem ser gastos nas compras em lojas do Assaí.

"Fidelização nesse nosso segmento é um tema importante. Por uma questão de princípio, esse cliente busca preço. Como compra em grande volume, ele é capaz de rodar quilômetros por uma diferença de centavos", comenta o diretor Financeiro.

O lançamento da maquininha é um dos esforços do Assaí no desenvolvimento de produtos e serviços financeiros. Em março, o negócio de atacarejo do GPA implementou um cartão de crédito também com a marca "Passaí". Santos afirma que novos produtos e serviços nessa área devem ser lançados em breve. / COM DAYANNE SOUSA

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