Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Rede de varejo Lojas do Baú faz cortes no alto escalão

Intenção do Grupo Silvio Santos, dono da rede, seria melhorar os resultados para atrair compradores

, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

A Lojas do Baú Crediário, braço varejista do Grupo Silvio Santos, iniciou esta semana um forte enxugamento da empresa. A intenção é torná-la mais atraente aos olhos de prováveis interessados em adquiri-la - como a Casas Bahia, que procurou a companhia nas últimas semanas.

A rede com 125 lojas espalhadas pelos Estados de São Paulo e Paraná demitiu ontem cerca de 40 funcionários. Eles ocupavam cargos de nível gerencial e recebiam salários mais elevados. Os cortes se concentraram nas unidades administrativas de Maringá (PR) e da capital paulista.

A assessoria de imprensa do Grupo Silvio Santos confirma as demissões e alega que a redução de pessoal faz parte do "processo de reestruturação" pelo qual passa a empresa. De acordo com a assessoria do Grupo, a Casas Bahia manifestou interesse de comprar a rede. Procurada pelo Estado, a Casas Bahia não se manifestou.

As demissões correspondem a quase 20% do total de empregados da Lojas do Baú. Segundo fontes do mercado, foram cortados funcionários com mais de 25 anos de empresa. Nessa lista estão ex-diretores que acabaram ficando na rede como consultores e representavam um grande peso na folha de pagamento.

Apesar de não divulgar resultados, por ser uma companhia fechada, a receita da rede varejista do Grupo Silvio Santos girou em torno de R$ 400 milhões em 2009. O plano inicial de expansão da rede, fundada em 2007, não foi cumprido e fontes de mercado dizem que hoje a empresa estaria deficitária.

Próximo passo. Após as demissões, o próximo passo da reestruturação será o fechamento das lojas deficitárias no começo do ano que vem. Segundo fontes, cerca de dez pontos de venda da rede estariam nessa condição.

A assessoria da Lojas do Baú nega que a mexicana Elektra, do empresário Ricardo Salinas, teria se aproximado da empresa para fazer uma proposta de compra. "Nunca houve contato com o grupo mexicano", informou.

De toda forma, pessoas próximas da negociação dizem que a Elektra é a candidata que mantém contatos mais avançados com a direção da Lojas do Baú, além da rede paranaense Mercado Móveis, que manifestou interesse de arrematar os 85 pontos de venda localizados no Paraná.

O interesse da Casas Bahia pela empresa surpreendeu especialistas. Mas duas prováveis explicações são apontadas por eles para esse movimento da Casas Bahia. O primeiro motivo seria defensivo, isto é, para barrar a entrada da rede mexicana no Sudeste, o principal mercado consumidor.

A outra provável razão do interesse pela companhia é que os pontos de venda da rede no Paraná estão bem localizados e, por serem menores do que o padrão, poderiam ser ocupados pela bandeira Ponto Frio, que faz parte do Grupo.

PARA LEMBRAR

Empresas foram dadas como garantia

O rombo de R$ 2,5 bilhões descoberto no Banco Panamericano pelo Banco Central foi o estopim da crise no Grupo Silvio Santos. No mês passado, Silvio Santos, apresentador de televisão e dono do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), deu como garantia as 44 empresas do Grupo, entre as quais está a Lojas do Baú Crediário, em troca de um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir o rombo no banco.

O escândalo abalou as estruturas do Grupo. Após décadas no comando, Luiz Sandoval pediu demissão e executivos do banco foram substituídos. O mercado começou a olhar com lupa as empresas que teriam maior liquidez para cobrir o rombo do Panamericano. Em polos opostos, a marca de cosméticos Jequiti e o banco foram considerados os ativos mais valiosos. Já a rede varejista tem menor potencial de venda.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.