Rede hoteleira tenta manter faturamento de 2001

Diante da crise econômica e da superoferta de quartos, a rede hoteleira do País se desdobra para manter o mesmo nível de faturamento do ano passado, quando foram registrados US$ 2 bilhões. "É uma expectativa otimista", afirmou o presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), Luiz Carlos Nunes.Ele ressalta que a crise da hotelaria se acentuou a partir dos ataques aos Estados Unidos, em setembro de 2001, que afastou parte dos turistas estrangeiros das rotas nacionais, sobretudo as do Nordeste. Ao mesmo tempo, a crise argentina reduziu o fluxo de turistas principalmente no Sul.Segundo Nunes, cerca de 60% dos visitantes de Santa Catarina eram argentinos. Com o agravamento dos problemas econômicos do país, a taxa caiu para 10%. "O Nordeste também sentiu o refluxo dos argentinos", acrescentou. Por último, a falência da Soletur, uma das maiores operadoras de turismo do Brasil, e a crise das companhias aéreas, que cortaram rotas, completam os desafios do setor para 2002.A falta de visitantes reflete-se na queda da taxa de ocupação dos hotéis. Em Santa Catarina, cuja taxa média era de 76%, o índice baixou para 50%. Em São Paulo, onde era de 70%, caiu para menos de 50%. Outra conseqüência foi a queda de 30% dos preços das diárias médias.Mas não foi apenas o número de visitantes que caiu. Nunes afirma que o gasto médio, por viagem, também regrediu. "Os turistas sofreram uma redução no potencial de gastos", disse. Embora ressalte a previsão de manter o nível de faturamento igual ao de 2001, Nunes aponta alguns indícios de como o setor está se movimentando para obtê-lo.Um deles é o novo sistema de classificação dos hotéis, em desenvolvimento conjunto com a Embratur. "A demanda dos ocupantes evoluiu e os hotéis têm de acompanhar essa mudança", afirmou. O sistema envolve desde a reforma e readequação dos empreendimentos até a qualificação dos funcionários.Os hotéis solicitam a classificação à Abih, que envia uma auditoria independente para avaliá-lo. Porteriormente, o laudo é analisado por um comitê estadual da Abih, que modifica ou ratifica a classificação sugerida pelo auditor. Casos de hotéis cinco estrelas plus e contestações à categoria enquadrada são decididas pela Abih nacional.Oito hotéis já se classificaram, e 60 estão em fase de análise. Conforme Nunes, a requalificação profissional também está na mira dos hoteleiros, sobretudo os de pequeno e médio porte. Para tanto, a entidade está firmando um convênio com a Embratur e com o Sebrae para requalificação profissional. "Essa é uma necessidade, sobretudo para pousadas e pequenos hotéis", afirmou o gerente da unidade de apoio à comercialização do Sebrae-SP, Luiz Álvaro Bastos.Nunes aposta na recuperação do setor. Além da conversão de unidades de flats em apartamentos residenciais, que deve enxugar parte da oferta que sobrecarrega o mercado, o presidente da Abih destaca os investimentos de grandes redes. As 35 principais redes hoteleiras planejam entregar, até 2005, cerca de 200 empreendimentos, num total de R$ 3 bilhões em ativos imobilizados. "Isso é um sinal de que eles vêem o potencial do turismo brasileiro", afirmou.Nunes e Bastos participaram nesta terça-feira da abertura da 40ª Feira Internacional de Equipamentos, Produtos e Serviços para Hotéis, Flats, Restaurantes e Similares (Equipotel 2002), no pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. A feira termina na sexta-feira, dia 27.

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