Rede social líder na Espanha busca expansão

Mesmo usada por apenas 10 mil pessoas no Brasil, Tuenti quer crescer no País se diferenciando do Facebook e do WhatsApp

ANNA CAROLINA PAPP, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2013 | 02h20

Recém-chegado ao Brasil, o Tuenti, plataforma meio rede social meio aplicativo de mensagens, quer entrar no mercado de mídias sociais com a seguinte proposta: ser o "Facebook dos amigos reais".

Em tempos de preocupação crescente com privacidade e uso de dados, a rede social espanhola criada em 2006 aposta em círculos menores e no uso de mensagens encriptadas para atrair usuários. "Na Espanha fazemos muito sucesso, e isso se deve ao fato de sermos muito mais privados do que o Facebook e o Twitter", disse Sebastián Muriel, vice-presidente de desenvolvimento corporativo. "Suas conversas no Tuenti ficam no Tuenti; o conteúdo que você compartilha não é indexado pelo Google", explica.

Privado. No serviço, é possível adicionar uma pessoa como contato - para enviar mensagens e realizar chamadas de voz com pessoas da sua agenda telefônica - ou como amigo, para compartilhar informações e imagens. O conteúdo só pode ser visualizado por seus amigos; não há a opção "público" ou "amigos de amigos".

"Queremos que você só selecione, 15, 20 amigos, e não centenas, como faz em outras redes sociais. Com o Tuenti, você mantém um feed que é relevante", diz Muriel.

A rede social tem cerca de 15 milhões de usuários na Espanha. Pode ser acessada na web ou em aplicativos para celulares com sistemas iOS, Android, Windows Phone, BlackBerry e Firefox OS. Cerca de 6 milhões de pessoas usam o serviço em smartphones e tablets.

Chat. Na Espanha, a rede social supera plataformas como Facebook e Twitter em tráfego, principalmente devido ao seu recurso de bate-papo.

Assim, o Tuenti tem a missão de competir não só com redes sociais, mas com um mercado em amplo crescimento - os aplicativos de mensagem. O mais conhecido, WhatsApp, teria recentemente alcançado mais de 250 milhões de usuários.

Segundo Muriel, a empresa apostará no serviço multiplataforma para entrar no jogo. "Diferentemente do WhatsApp, eu posso começar a conversa na web e continuar no iPhone ou no BlackBerry, porque todos os meus contatos e conversas estão na nuvem", diz.

Desafio. Depois de passar um ano com uma versão beta (de teste), o Tuenti lançou a versão oficial no Brasil na semana passada, como parte de um plano de expansão global. Por enquanto, tem apenas 10 mil usuários.

Ganhar o País pode ser uma missão difícil devido à grande disseminação do Facebook entre os brasileiros - cujo número de usuários só fica atrás dos Estados Unidos - e por ser um país onde o uso de apps de mensagem ainda não é disseminado entre usuários de celular, uma vez que o mercado de smartphones está em estágio inicial. Dos 59,5 milhões de aparelhos vendidos em 2012, 16 milhões (27%) eram smartphones.

Para Muriel, contudo, a missão não é concorrer diretamente com redes sociais, mas ser incorporado em situações específicas para compartilhar conteúdo com amigos próximos.

"Não é um jogo de um jogador só. Eu continuo com meu perfil no Twitter e no Facebook para interagir com pessoas que conheci, mas essas pessoas não são necessariamente meus amigos", diz. "Não é só privacidade, mas controle de quem vê meus dados, como anunciantes e desenvolvedores de apps. Todo usuário precisará ter uma plataforma em que se sinta confortável e saiba que ninguém está olhando. E é essa necessidade que queremos suprir."

Quanto ao modelo de negócio, 50% da receita vem da operadora de telefonia da empresa, a Tuenti Móvil. A outra metade vem de anúncios na plataforma, por ora restritos à versão para desktops. "Temos estudado formas de publicidade móvel, mas não faremos isso sem achar um jeito de não perturbar os usuários", diz.|

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